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Wall-e – o super humano

27.06.08

por Daniel Oliveira

WALL-E

(EUA, 2008)

Dir.: Andrew Stanton
Vozes: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, Fred Willard, John Ratzenberger, Kathy Najimy, Sigourney Weaver

Princípio Ativo:
amor

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Sabe aquele pai que põe o filho na escola de futebol com dois anos? Se eu tiver um filho, ele vai trabalhar na Pixar. Tipo: quer leite? Comece a desenhar. Com um ano, já vai pro computador.

Sério. Os caras são gênios. E não estão simplesmente reinventando a animação hollywoodiana, eles estão recriando o cinema de Hollywood para o século XXI. Depois de misturar super-herói com comédia familiar; de mergulhar o road movie no oceano e combiná-lo com conflito de gerações (Procurando Nemo); e de levar o underdog esportivo para o mundo da alta culinária, eles tele-transportam a comédia romântica para o espaço sideral em “WALL-E”.

O robô-título é o solitário compactador do lixo em que a Terra se transformou 700 anos no futuro. Seu passatempo é assistir à mesma cena do musical “Alô, Dolly”, enquanto ensaia passos de dança desajeitados e sonha com...um amor. Que ele encontra quando a robô Eva é enviada ao planeta atrás de algum sinal de vida.

O grande trunfo do filme de Andrew Stanton (Nemo) é, sem dúvida, seu protagonista. WALL-E é herdeiro de Carlitos (e do ET) e é IMPOSSÌVEL não se apaixonar pelo seu desengonço quando está perto de Eva e por seus olhos de cachorro pidão. Seu ‘flerte’ com a robozinha no início é tão bom que a animação chega a perder um pouco de seu charme quando eles vão para a colônia espacial em que os humanos estão vegetando e o filme ganha ares de aventura espacial.

Por mais que as soluções visuais do estúdio para representar uma idéia (no caso, o consumismo e o conformismo humanos que acabaram por destruir a Terra) continuem ótimas, elas não são competição para o romance da dupla de protagonistas. Mais interessantes são as referências cinematográficas - um dos maiores passos da Pixar no sentido de uma animação ‘adulta’. É difícil imaginar que uma criança pense em “Blade runner” durante as tomadas da Terra no começo do filme. Ou na estética “THX-1138” da colônia Axiom. E muito menos no HAL-9000 de “2001”, em que o piloto automático da nave é inspirado. Considere-se ainda a ausência de diálogos durante grande parte do filme.

Mas não se engane: como todos os longas da Pixar, “WALL-E” é uma obra feita para todos os públicos, por uma equipe que não quer dificultar a leitura – pelo contrário, quer torná-la prazerosa. As crianças vão se emocionar e há os momentos para você segurar a mão delas e dizer que vai ficar tudo bem.

Acima de tudo, porém, “WALL-E” é um convite à vida e ao que de mais precioso ela tem a oferecer: o amor. Porque mesmo quando a gente parece ter estragado tudo e as coisas estão terríveis demais, um robô atrapalhado e tímido parece nos olhar e dizer o que aprendeu com o ser humano: nas horas difíceis, dance.

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Imbatível: o Oscar de personagem mais fofo do ano vai para WALL-E, por antecipação.

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