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CRASH! BOOM! BANG!

21.08.08

por Daniel Oliveira

O procurado

(Wanted, EUA/Alemanha, 2008)

Dir.: Timur Bekmambetov
Elenco: James McAvoy, Angelina Jolie, Morgan Freeman, Terence Stamp, Thomas Kretschmann, Common

Princípio Ativo:
adrenalina

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Na lista das coisas impossíveis que nunca poderiam acontecer (a não ser em um filme de verão com orçamento de sobra), “O Procurado” marcou quase todos os quadradinhos. Balas fazem curvas, pessoas são puxadas para dentro de carros em movimento pelo motorista que, ao mesmo tempo, atira no seu perseguidor; e um monte de gente é morta a sangue frio e espancada porque uma máquina de tear mandou.

É violento, semi-gratuito, adrenalinesco e um pouco videoclíptico. E é muito divertido. Descerebrado e despretensioso, o filme combina uma história boba com algumas boas gags do roteiro e uma direção que joga isso tudo numa montanha-russa sangrenta e descontrolada.

McAvoy é o gerente de contabilidade Wesley Gibson, que descobre que seu coração atinge 400 batidas/segundo, o que lhe permite peripécias como atirar em asas de moscas. Ele é recrutado por um grupo de fodões no assunto (A Fraternidade) para se tornar fodão como eles e vingar a morte do pai por um cara muito mais fodão. Tipo o Harry Potter, só que ele usa revólveres, mata pessoas e o Dumbledore dele é o Morgan Freeman.

E sua Hermione seria Angelina Jolie. Ótima, poupada dos diálogos ruins e fazendo caras e bocas que dizem “sou tão legal que salvo o mundo e, quando dá tempo, ainda ajudo losers a se tornarem tão fodões quanto eu”. E a grande sacada do filme é essa transformação de Wesley, loser do tipo que escuta sua vida narrada em Mr. Brightside (e não faz nada a respeito), em um super-assassino-salvador-do-mundo.

Salvador do mundo é bondade do roteiro, adaptado (e muito modificado) da HQ de Mark Millar e J.G. Jones, em que os assassinos são bem mais mauzões que no filme. O mérito disso funcionar é do carismático James McAvoy, especialmente durante o treinamento-transformação do protagonista. Ele ainda tentou imprimir sua ironia escocesa ao off de Wesley, mas a direção do russo Timur Bekmambetov (Guardiões do dia) não teve capital de competência para comprar a piada.

O cineasta está mais em casa nas insanas seqüências de ação, variando velocidades de câmera em movimentos impossíveis e editando com a precisão do tiro na asa da mosca. A única que deixa a desejar é o confronto final, que parece um jogo de videogame em que o protagonista vai matando os chefinhos até chegar no chefão. Todo o ato final, aliás, destoa do resto do filme, com seu novelão jkrowlingnesco sem Voldemort pra temperar.

Mas mesmo ele vale a pena, nem que seja só para ver Morgan Freeman dizer kill the motherfucker. Esses pequenos prazeres gordurosos e pouco saudáveis que o bom blockbuster de verão proporciona àqueles que desligam seu cérebro...

Mais pílulas:
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Foi mal, McAvoy, você é até legal, mas...

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