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Antes tarde do que nunca?

13.10.08

por Renné França

As duas faces da lei

(Righteous kill, EUA, 2008)

Dir.: Jon Avnet
Elenco: Al Pacino, Robert De Niro, 50 Cent, Carla Gugino, John Leguizamo, Donnie Wahlberg, Brian Dennehy

Princípio Ativo:
a dupla

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Al Pacino e Robert De Niro. Os dois grandes atores de uma geração que mudou Hollywood já haviam dividido um dos melhores filmes da história (O Poderoso Chefão – parte 2), mas nunca haviam contracenado em mais do que uma cena (Fogo Contra Fogo). A promessa de “As Duas Faces da Lei” era de um filme inteirinho com a dupla cara a cara e estreou carregado das melhores expectativas.

Se bem que só o fato de ler esses dois nomes juntos em um cartaz de cinema já é mais do que o suficiente para provocar emoções cinéfilas. Ou será que não?

A verdade é que, nos últimos anos, os dois se especializaram como coadjuvantes para jovens astros ou paródias de si mesmos. Há duas décadas, o encontro seria um acontecimento cinematográfico daqueles de sair até mesmo nas capas de revistas não-especializadas. Hoje, é objeto de mera curiosidade.

E é dessa maneira que merece ser encarado. Roteirizado por Russel Gewirtz (do ótimo “O plano perfeito”), o filme segue uma dupla de policiais que investiga um serial killer caçador de criminosos. Espécie de “Justiça Final” (alguém aí se lembra do juiz Nicholas Marshall, que se tornava justiceiro à noite para caçar os criminosos que era obrigado a absolver?) com ecos de “Dexter”, “As duas faces da lei” é muito previsível e nem mesmo a união Pacino e De Niro consegue dar jeito na falta de inspiração do diretor Jon Avnet (88 Minutos).

Se na condução estivesse Michael Mann ou David Fincher, a história poderia ser outra. Mas Avnet, além de abusar de flashbacks e narração em off, não consegue criar suspense ou aprofundar personagens, em um total deslumbramento em trabalhar com a célebre dupla – comprovado já na ridícula cena de abertura.

Talvez fosse melhor esperar um pouco mais para a tão aguardada reunião. Ou talvez ela aconteceu tarde demais. Sinceramente, a única coisa que realmente vale no filme é o prazer de ver duas figuras lendárias do cinema dividindo a cena, mas se apoiar em produções geniais do passado é muito pouco. Sem as sombras de “Scarface”, “Serpico”, “Touro Indomável” e “Taxi Driver” pairando sobre Pacino e De Niro, “As Duas Faces da Lei” seria apenas mais um desses filmes policiais que passam na Bandeirantes no meio da semana.

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De Niro faz cara de De Niro e Pacino faz as contas que está pagando.

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