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Amantes inconstantes

14.10.08

por por Mariana Marques feat. Daniel Oliveira

A fronteira da alvorada

(La frontière de l’aube, França, 2008)

Dir.: Philippe Garrel
Elenco: Louis Garrel, Laura Smet, Clémentine Poidatz

Princípio Ativo:
DR à francesa

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Escolhi a sessão de "A Fronteira da Alvorada" com medinho. Sei da fama de Philippe Garrel de fazer filmes arrastados. Não assisti a "Amantes constantes",

- Eu sim. E não consegui ler as legendas por causa do contraste. Como era mediano meu francês...

então adentrei a sala de mãos dadas com a futilidade, pensando "mal não vai fazer ver o Louis Garrel na telona, lindo e fotografado (e fotografando) em p & b"

- Eu não. Mas a Laura Smet fotografada em p & b também não é nada mau. Na verdade, a ausência de cor em “A fronteira...” respira a inspiração de Garrel-pai no cinema mudo dos anos 10/20 – das máscaras na tela até uma certa inocência na realização bem diferente da pretensão de “Amantes”.

Meu faro cinéfilo é quase nada aguçado para ficar uma hora e meia experimentando sensações estéticas apuradas. Sorte a minha que, em "A Fronteira...", a fotografia bonita é acompanhada de um bom roteiro que, por vezes, parece pura DR transportada para a tela, mas provoca bem mais reflexão que isso.

- Ok, ok.

O fotógrafo François (Garrel-filho) conhece a atriz Carole (Smet, tipo uma Renné Zellweger da França)

- só que ridiculamente bonita

e os dois iniciam um caso. Ela é casada, mas os dois apaixonam-se e ganham vários problemas de brinde. A atuação de Laura Smet foi o que mais me incomodou. Sua aparência condiz bem com o tipo "mulher fatal que seduz garoto mais novo", tudo bem. Mas como o fantasma que assombra François pelo resto da vida, ela deixa a desejar.

- Uhn...concordo. Só que a atuação fraca dela até reforça esse caráter simbólico, quase farsesco, dessa mulher/relacionamento que nunca terminam totalmente e se tornam fantasmas nos assombrando o resto da vida...

Só que o Louis Garrel até baba para ajudá-la! Pontos pra ele, né?

- Menos, menos.

Cheio de diálogos nervosos ("você continuaria me amando se eu ficasse louca?") e espertinhos ("tornar-se pai é como pular da janela, só que não há fim, e sim um novo começo"), o filme segue François, que (acha que) superou Carole e até está na companhia de outra. E olha que a "outra" em questão era Clémentine Poidatz, belíssima.

- Mas o fato é que a gente não escolhe quem ama, né? Se bem que Anna Nalick já disse que “amar não dói: então não caímos de amor, caímos aos pedaços”.

Mas vai ver que é opinião feminina e os meninos prefiram a opulência de Carole.

- Smet é mais bonita (e interessante) que Poidatz. Fato.

E gente, não vale rir no final! É trágico, devastadoramente trágico. Eu saí da sessão também com medinho, mas era aquele do tipo que deixa o coração do tamanho de um caroço de laranja.

- Não vale rir. Nem pular pela janela.

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We'll make a movie, the darlings of cinema. You'll be director and I'll be your movie star...

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