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Cores de Almodóvar

12.11.08

por Renné França

Vicky Cristina Barcelona

(EUA/Espanha, 2008)

Dir.: Woody Allen
Elenco: Javier Bardem, Scarlett Johansson, Penélope Cruz, Rebecca Hall, Patricia Clarkson, Kevin Dunn, Chris Messina

Princípio Ativo:
Bardem & Cruz, by Allen

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“Vicky Cristina Barcelona” é como uma pintura que mistura vários estilos, mas consegue manter o enquadramento de seu autor. Cores e traços a princípio divergentes vão se encontrando para formar um desenho que não é dos mais originais, mas ótimo de se apreciar. No título estão as duas norte-americanas, mas quem se grava com força na tela são os espanhóis Juan Antonio e Maria Elena. Ele é Javier Bardem e, quando aparece pela primeira vez, o quadro realmente começa a ser pintado. Ela é Penélope Cruz, responsável pela mudança de textura que transforma um filme bacana em uma deliciosa comédia imprevisível.

E há ainda o outro traço dessa obra recheada de estilos: Barcelona.

Arte moderna
É na cidade catalã que a racional Vicky (Rebecca Hall) e a impulsiva Cristina (Johansson) passam o verão, conhecendo os pontos turísticos e a cultura local. Mas o que elas acabam conhecendo é o sedutor pintor Juan Antonio e sua perturbada ex-mulher, Maria Elena. Começa aí a ser pintado um caso amoroso que não obedece à geometria, transformando-se de triângulo em quadrado e acabando um circulo. É intenso, complicado e é engraçado. É Woody Allen. E é Barcelona.

Arte clássica
Em sua “versão européia”, Allen gosta de brincar com os gêneros e estereótipos dos países em que filma: saem os assassinatos e crimes misteriosos de seus filmes ingleses e entram as cores fortes, mulheres histéricas e o amante latino. Mas Barcelona nunca chega a ter a força de sua Nova York como moldura, aparecendo pelos pontos turísticos óbvios e sem nem mesmo referências ao fato de lá se falar o catalão. È a cidade dos postais, condizente com o olhar das amigas turistas.

Cubismo
Vicky é a versão feminina dos papéis neuróticos que o cineasta pintou em suas produções anteriores, tentando a todo custo analisar as situações e propor soluções lógicas às relações amorosas. Cristina é o contraponto, age por instinto e se orgulha de não se prender a nada ou ninguém. Juan Antonio é a pincelada que desestabiliza o desenho, com poder de provocar uma inversão de papéis. E Maria Elena é o que dá cor a tudo isso: Penélope Cruz preenche a tela sem fazer esforço e entrega uma personagem difícil de esquecer.

Pop arte
A narração é excessiva e muitas vezes os estereótipos podem soar pesados demais. Mas os diálogos do diretor e roteirista permanecem afiados, Bardem continua um tremendo ator e Johansson é sempre linda. Se algumas cores são excessivas, a visão do quadro como um todo vai te deixar com um belo sorriso no rosto. Não é uma obra de arte, mas fica bem em qualquer parede que for pendurado.

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Três pessoas, muitas cores, algumas formas, várias possibilidades.

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