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Caravana dos Desajustados

16.12.04

por Rodrigo Ortega

Cachorro Grande- As Próximas Horas Serão Muito Boas

(Independente, 2004)

Top 3: “Que loucura!”, “As Próximas Horas Serão Muito Boas” e “Me perdi”.

Princípio Ativo:
Bom e barato

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Em “As próximas horas serão muito boas”, segundo disco dos gaúchos da Cachorro Grande, os baderneiros engravatados voltam um pouco menos lunáticos, mas ainda chamando muita atenção. O disco foi gravado de forma independente e distribuído nas bancas de jornal junto com a quinta edição da revista Outracoisa, do não menos baderneiro Lobão.

Após apresentações explosivas em festivais independentes de todo o país, na turnê do disco de estréia, “Cachorro Grande”, de 2002, Beto Bruno (voz), Marcelo Gross (guitarra), Jerônimo Bocudo (baixo) e Gabriel Azambuja (bateria) se trancaram no estúdio, mas o trabalho final foi dispensado por várias gravadoras. Bom para os fãs, que pagam apenas R$ 12,90 por uma cópia do disco, mais a revista do Lobão.

O tom é diferente das loucas e divertidas viagens do primeiro álbum. As letras não são habitadas por estranhos personagens como Lili, Charlote e Pedro Balão. Um porre de cerveja define melhor o clima das novas músicas. “Eu não vou sair por aí / sem me divertir”, brada Beto em “O truque do ovo”.

Mas as cores psicodélicas ainda estão presentes, principalmente em “Você pode até pegar” e a ótima “Que loucura!”, música de trabalho, disponível no site da banda, de onde mais de 12 mil pessoas já fizeram o download.

A gravação, feita ao vivo, em apenas dois dias, busca um som mais “orgânico” e revela tanto momentos mais calmos (“Me perdi”, “O trem que eu espero não vem”), quanto ainda mais pesados (“Hey, amigo”, “Você não sabe nada”).

Os teclados se destacam, tanto que o responsável por eles, Pedro Pelotas foi oficialmente incorporado à trupe da Cachorro Grande. As guitarras de Marcelo Gross, ex-Júpiter Maçã, compositor da maior parte das músicas, aparecem com mais variações de efeitos, combinando com a versatilidade do peculiar vocal de Beto Bruno.

Entre tantas faixas bacanas, é difícil destacar as melhores, mas fico com as pedradas “Hey, amigo” e a faixa-título, o single “Que loucura!” e as surpreendentemente sensíveis “Agoniada”, “Enquanto o trem que eu espero não vem” e “Me perdi”. De “Problema é teu cu, filho da puta” (“Sem Problemas”) a “Me desculpe eu perdi a razão / igual novela na televisão” (“Me perdi”), tudo funciona bem.

Com “As próximas horas serão muito boas” e a segurança de já ser grande no universo paralelo do rock gaúcho, a Cachorro Grande deve ganhar ainda mais admiradores. Agora é esperar pra ver o estrago que vai causar a caravana dos desajustados.

Um brinde ao segundo disco

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