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Yes, we can

28.01.09

por Renné França

Sim senhor

(Yes, man, EUA/Austrália, 2008)

Dir.: Peyton Reed
Elenco: Jim Carrey, Zooey Deschanel, Rhys Darby, Bradley Cooper, Danny Masterson, Fionnula Flanagan, Terence Stamp

Princípio Ativo:
sim

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Em plena crise de 1929, o cinema serviu de válvula de escape para os problemas financeiros nos EUA. Aventuras exóticas, como as mostradas em “A Rosa Púrpura do Cairo”, de Woody Allen, tornaram-se um fenômeno, assim como obras otimistas que exaltavam o espírito americano, cujos melhores exemplares são os filmes edificantes de Frank Capra.

80 anos depois, o país passa por mais uma grande recessão econômica e nada mais natural do que o cinema fazer sua parte para ajudar a elevar o espírito de seus espectadores. Chegamos então a “Sim Senhor”, comédia em que Jim Carrey, não por acaso, faz o papel de gerente de empréstimos de um banco. Acostumado a dizer não para tudo e para todos - sejam os amigos que o convidam para uma cerveja ou os clientes que precisam de ajuda financeira - ele entra para um grupo de auto-ajuda em que dizer sim é uma obrigação.

A mensagem não poderia ser mais clara: é preciso ser positivo, otimista, acreditar que as coisas podem sempre mudar e que devemos estar abertos a novas possibilidades. Mas tudo isso, óbvio, aparece como uma comédia típica de Jim Carrey com personagens redentores, que é quase um xerox de “O Mentiroso”.

“Sim Senhor” não é nada original, mas bastante eficiente. As situações criadas a partir dos receios norte-americanos com relação ao terrorismo e a cena passada em uma reunião de fãs de Harry Potter, organizada pelo chefe do personagem de Carrey (Rhys Darby, o melhor do filme), são daquelas capazes de provocar gargalhadas involuntárias. Zooey Deschanel, por sua vez, está cativante como vocalista de uma banda (muito) alternativa.

Entre as caretas do protagonista e momentos divertidos que surgem quando uma pessoa resolve dizer sim para tudo, o que fica é a cena em que um homem resolve se matar pulando de um prédio e o personagem de Carrey vai tentar salvá-lo cantando “Jumper”, do Third Eye Blind. I know something's wrong/Well everyone I know has got a reason/To say, enquanto a multidão que aguarda o salto suicida canta: Put the past away.

Esperança é a palavra chave e “Sim Senhor” aparece quase como uma versão em imagens do mantra “Sim, nós podemos” de Barack Obama. Após dizer sim para tudo, o personagem troca os filmes violentos pelos mais românticos, ganha uma promoção no emprego (gerentes de banco, emprestar é um bom negócio!) e até encontra o amor.

É bonitinho, engraçado e te faz se sentir bem. Hollywood parece mesmo se colocar na linha de frente contra os efeitos psicológicos da crise econômica. Ou alguém acha que é por acaso que o atual papa prêmios do cinema se chama “Quem quer ser um Milionário?”.

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