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Kevin Smith goza com pornô

21.03.09

por Daniel Oliveira

Pagando bem, que mal tem?

(Zack and Miri make a porno, EUA, 2008)

Dir.: Kevin Smith
Elenco: Seth Rogen, Elizabeth Banks, Craig Robinson, Jason Mewes, Jeff Anderson, Traci Lords, Justin Long, Brandon Routh, Katie Morgan

Princípio Ativo:
pornografia comedycore

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Pornografia é a melhor amiga do homem solteiro. O que seria dos longos períodos de seca sem a generosidade de Sylvia Saint, a flexibilidade de Jenna Jameson e a técnica entusiasmada de Rocco Siffredi e Peter North?

(Cara, eu trabalhei em locadora, então você ficaria chocado com o quanto eu conheço sobre pornô...) Kevin Smith também conhece. E é por isso que “Pagando bem, que mal tem?” (péssima tradução, chamemo-lo de “Zack e Miri”) resulta tão divertido, autêntico e espontâneo, mesmo com suas piadas imundas, seus palavrões onipresentes e esporádica escatologia.

Smith está em casa no filme, dos personagens aos diálogos, cenários e situações, com suas referências a filmes sendo sacaneadas desta vez com o hilário universo erótico. Tão em casa que incomoda. A trilha musical, por exemplo, é deslocadamente noventista, o personagem de Rogen guarda algumas muitas similaridades com o Dante de “O balconista” e o figurino de Banks lembra Joey Lauren Adams em “Procura-se Amy”.

Os dois são os tais Zack e Miri, amigos de colégio que dividem apartamento, sem grana, responsabilidade ou empregos decentes para mantê-lo. Numa reunião da escola, descobrem que o garanhão da turma (Brandon Routh) se deu bem em LA como ator pornô (gay) e decidem solucionar seus problemas financeiros penetrando no métier.

A ‘pré-produção’ do filme, a busca pelo título (Star Whores – Vadias nas estrelas) e as cenas das gravações são, sem dúvida, os melhores momentos de “Zack e Miri”. Jason Mewes (o Jay) dá as caras como o ‘astro’ da produção – continua um péssimo ator, otimamente utilizado por Smith. O diretor ainda merece créditos por dar o personagem do produtor a Craig Robinson, o Darryl de “The Office”, que se sai muito melhor com sua sutileza do que Seth Rogen e seus arroubos exagerados.

A cena no café após uma certa demolição é o melhor exemplo disso. As falas escritas pelo cineasta-roteirista são fracas e o ator tenta gritar o máximo que pode para melhorá-las, conseguindo apenas exaurir o espectador. Smith não é um diretor de muitos recursos e quando seu roteiro não funciona, o filme desanda. O final de “Zack e Miri” sofre muito com isso, tentando recriar a emoção de “Procura-se Amy”, mas sabotado por reviravoltas forçadas e pela atuação fraca de Elizabeth Banks. Nem a belíssima “You and I are a gang of losers”, do The Dears, redime a baranguice.

Salvam-se os dois primeiros terços do filme, as piadas sujas e o ótimo título “Shut your mouth or I’ll fuck it” – diversão tão suja e inofensiva quanto um pornozinho ao fim da tarde. Se você não vê a graça nisso, nem passe perto.

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Gozo: Seth, Craig e Elizabeth excitados com a performance dos membros de sua produção

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