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Dupla Aerodinâmica

02.04.09

por Renné França

Velozes e Furiosos 4

(Fast and Furious 4, EUA, 2009)

Dir: Justin Lin
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, John Ortiz, Laz Alonso

Princípio Ativo:
Diesel & Walker

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Ao final de “Velozes e Furiosos 4”, um letreiro surge na tela avisando que as façanhas realizadas pelos carros durante o filme não devem ser repetidas pelos espectadores. O aviso já dá uma ideia do festival de absurdos que é a produção. E também da empolgação que ela pode provocar nos fanáticos por velocidade.

O filme segue a exibição de fetiches masculinos dos anteriores: a câmera trata os carros como se fossem um corpo feminino, valorizando suas curvas em uma contemplação quase pornográfica. As mulheres, por sua vez, são enquadradas como as máquinas: rígidas, brilhantes e coloridas.

A estética macho é completada pela presença da dupla Vin Diesel e Paul Walker, que não se encontrava desde o original. Quando a série teve início em 2001, ninguém dava muita coisa por um filme (claramente chupado do divertido “Caçadores de Emoção”) sobre roubo e corrida de carros, estrelado por dois atores praticamente desconhecidos. Mas o excesso de testosterona misturado com músicas bacanas e cenas de ação pra lá de eficientes caiu no gosto do público e garantiu sua primeira continuação, com apenas Walker de volta.

“Velozes e Furiosos 4” é provavelmente o que essa segunda parte teria sido se Diesel houvesse topado a empreitada na época. Agora, o ladrão Dom Toretto está de volta de seu exílio após o final do primeiro longa para vingar a morte da namorada. Ele ainda precisa se aliar ao policial Brian O’Conner na busca pelo chefe de uma quadrilha que trafica drogas através de possantes carros de corrida. (Se não havia originalidade no primeiro, imagine na terceira continuação...)

Não que a história (com mais buracos que a estrada mexicana do clímax da aventura) importe muito. A força da série está nas bem elaboradas cenas de perseguição automobilística - e o maior pecado do quarto filme é não reconhecer esse atributo. O roteiro deveria claramente terminar com menos de uma hora de projeção, mas aí não daria para cobrar ingressos... A solução é a aposta em infindáveis e sonolentos diálogos sobre o valor da amizade, da família e da tênue diferença entre herói e vilão.

Quando não apela para esses momentos, “Velozes e Furiosos 4” entrega o que seu público espera: explosões, exageros e total desprezo pelas leis da física. De um prólogo que parece saído direto do primeiro filme, passando por uma perseguição a pé que remete novamente a “Caçadores”, até chegar a um final com um gancho escancarado para mais uma continuação, o filme se destaca mesmo é pelo reencontro da dupla Diesel & Walker e sua química quase homoerótica. È um filme de meninos para meninos.

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Boys being boys (with boys).

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