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Para americano ver

22.04.09

por Taís Oliveira

Frost/Nixon

(Estados Unidos, 2008)

Dir.: Ron Howard
Elenco: Frank Langella, Michael Sheen, Sam Rockwell, Rebecca Hall, Kevin Bacon

Princípio Ativo:
expectativa

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"Frost/Nixon" conta a história da entrevista que o ex-presidente Richard Nixon deu, três anos após sua renuncia, ao jornalista inglês David Frost. Ou melhor, o filme é construído em volta da tensão e expectativa até o último dia de entrevistas, considerado o julgamento de Nixon que os americanos tanto queriam (e que o longa anuncia no começo). Focando nesse momento de importância histórica, e no qual Frost consegue o que quer, o diretor Ron Howard deixa todo o resto do filme sem graça.

A preparação para a entrevista é desinteressante, sem acertar a medida na abordagem dos assuntos. Personagens secundários falam para a câmera em clima de documentário, criando trechos dispensáveis para reforçar a base real do tema. Se para o diretor era necessário transformar em falas o que as imagens já transmitiam, ele contradiz o próprio depoimento do final que conclui que a confissão de Nixon foi um olhar, não uma frase.

A entrevista começa morna - e o filme continua assim. Quando Frost questiona Nixon sobre a Guerra do Vietnã, a sensação é de uma provocação ao governo Bush e à Guerra do Iraque. David Frost parece não ter muito idéia do que está fazendo e prefere desfilar com sua linda namorada, interpretada por Rebecca Hall, que já havia conseguido a proeza de chamar a atenção entre Johansson e Cruz, e agora pode brilhar sozinha e mostrar que é a próxima a estourar. Enquanto isso, Nixon dá uma aula de como conduzir uma entrevista mesmo sendo o entrevistado, um bom exemplo de “o que não fazer” para se passar em aulas de jornalismo.

O filme é adaptado de uma peça de teatro na qual Langella e Sheen haviam atuado - as melhores cenas são os diálogos entre os dois, em perfeita sintonia. Figurino, cenografia e uma boa fotografia conseguem transportar o espectador para a década de 70.

Após uma insípida uma hora e meia, como uma entrada ruim que era desnecessária antes do prato principal, Frost/Nixon esquenta e são os 30 minutos finais que explicam a indicação ao Oscar de Melhor Filme. São cenas como a do cachorro que fazem valer a pena um filme sobre a tal entrevista.

E Frank Langella, que apesar da boa caracterização deixa a desejar em cenas de exaltação e raiva no princípio do filme, também faz justiça à nomeação de Melhor Ator nos minutos finais. É dele a prova do "poder do close" falado no filme, numa expressão arrepiante em cinco segundos de tela, provando que esse foi realmente um ótimo trabalho.

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