Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Peter Cassidy and the Sydney kid

24.04.09

por Daniel Oliveira

Eu te amo, cara

(I love you, man, EUA, 2009)

Dir.: John Hamburg
Elenco: Paul Rudd, Jason Segel, Rashida Jones, J. K. Simmons, Andy Samberg, Jaime Pressly, Jon Favreau, Sarah Burns, Jane Curtin, Rob Huebel

Princípio Ativo:
amizade, entre caras

receite essa matéria para um amigo

Muitos dirão que “Eu te amo, cara” é uma comédia romântica para homens. Só que isso implicaria, de alguma forma, que o que surge entre os personagens Peter Klaven (Rudd) e Sydney Fife (Segel) é um romance. E, apesar de ser desenvolvido quase exatamente como a paixão em um chick flick, o amor entre eles não é romântico.

É amizade. Entre dois caras. Essa estranha e muitas vezes incompreendida relação, da qual 99,8% dos homens dependem tanto quanto sexo. Nós precisamos de um parceiro (ui) para dividir as últimas descobertas no campo da masturbação, para mandar tomar no cú quando a gente precisa mandar alguém tomar no cu, exercitar nosso senso de humor idiota, para compartilhar nosso gosto musical duvidoso, pegar a Playboy emprestada e devolver com as páginas pregadas.

É imaturo, um tanto quanto medieval, meio nojento e...vital. E é por traduzir isso tão bem que o longa do diretor e roteirista John Hamburg vai disputar o título de maior quantidade de gargalhadas que você deu num cinema esse ano. A trama é simples: Peter acabou de ficar noivo de Zooey (Jones, do “The Office”) e, quando vai escolher o padrinho, percebe não somente que não possui um melhor amigo, como não tem nenhum amigo homem. Ele parte, então, na busca pelo Santo Graal, acaba o encontrando em Sydney e, ao mesmo tempo em que aprende as idiotices do companheirismo masculino, descobre mais sobre si mesmo e seu relacionamento com Zooey.

Rudd é, sem dúvida, a alma do filme e as melhores risadas vêm de seu destemor em fazer de Peter um absoluto tapado socialmente, soltando ‘piadas’ infames nos momentos mais inadequados. Ele ainda se beneficia de algumas boas sacadas do roteiro, como quando descobre que seu irmão gay é o melhor amigo do pai - e ele não.

Segel fica com as partes do humor mais físico e também não faz feio, mas é fato que seu personagem é bem menos desenvolvido pela história. Sabe-se que Sydney é um investidor, um adultescente e pronto. Nunca o vemos trabalhar nem nada. É uma das falhas do roteiro de Hamburg (Quem vai ficar com Polly?) e Larry Levin (Dr. Dolittle 2), que ainda se apoiam em muitos clichês do gênero, principalmente no terço final do longa.

Mas a química entre Rudd e Segel contorna isso com facilidade, auxiliada por um elenco de apoio com a nata dos comediantes norte-americanos hoje. Andy Samberg (Saturday Night Live), J. K. Simmons (Juno, HA, The closer), Jon Favreau e Jaime Pressly (My name’s Earl) conferem pedigree ao filme em personagens secundários. Adicione uma trilha musical acertadíssima e “Eu te amo, cara” é quase a comédia romântica da amizade perfeita.

Mais pílulas:
- Superbad - é hoje
- O virgem de 40 anos
- Maratona do amor
- ou Navegue por todas as críticas do Pílula

Da esq. para a dir.: J. Jonah Jameson, Hulk, Zé Ninguém, marido da Phoebe, Zé Ninguém 2, Cara do SNL.

» leia/escreva comentários (5)