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O tempo que resta

14.05.09

por Mariana Marques

A janela

(La ventana, Argentina/Espanha, 2008)

Dir.: Carlos Sorin
Elenco: Antonio Larreta, Maria del Carmen Jimenez, Alberto Ledesma, Emilse Roldán. Roberto Rovira

Princípio Ativo:
tic tac

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O diretor argentino Carlos Sorin sabe como dirgir atores da terceira idade. “Histórias Mínimas” e “O cachorro” apresentam enredos simples e bonitos sobre velhinhos, que não possuem vidas extraordinárias, mas torcemos por eles como se fossem antigos conhecidos. Ainda que menos nobre que os outros personagens de Sorin, Antonio (Antonio Larreta, mais um ator amador, outra marca dos filmes do argentino) também é um velhinho batuta, cuja teimosia em fugir provoca ainda mais cumplicidade.

Apesar do título e do imponente cartaz, a existência de Antonio é guiada menos pela janela do que pelo tic tac do relógio. Deitado em sua cama, com a saúde frágil e impedido de fazer esforço, o senhor de 80 anos vive em constante espera. "Sessenta dias são uma eternidade”, diz em certo momento, ratificando que o passar do tempo o aflige muito pela condição em que se encontra.

O velho não sabe esperar e tem medo de esquecer. A alegria pela lembrança de uma memória de mais de 50 anos, guardada em algum lugar de seu subconsciente, mostra o quanto ele gosta das reminiscências. A janela, que quando aberta mostra a Antônio os magníficos campos, é mais um elemento que torna a espera mais angustiante.

Há também a espera pela chegada do filho, um famoso pianista que mora na Europa e decide visitar o pai após saber do seu debilitado estado de saúde. O protagonista se mostra preocupado em receber bem o filho: chama um afinador para consertar o velho piano alemão e resolve abrir uma garrafa de vinho que sempre guardou para uma ocasião especial.

Além de Antônio, não há outro personagem da história que seja desenvolvido a ponto de criar empatia. As ajudantes Emilse e Maria del Carmen possuem diálogos fracos e artificiais. Os closes e os cortes de novelas quando as duas estão em cena contribuem para que as interpretações das atrizes pareçam ainda mais fracas e forçadas. A inclusão de alguns personagens, como o contador Alberto, é até mesmo desnecessária na trama.

Felizmente é Antônio quem preenche a maior parte da história e o modo como ele é recalcitrante para aproveitar o pouco tempo que resta é o que dá vida ao longa de Sorin. “A janela” pode não ser uma obra-prima. Pode ser um daqueles filmes considerados bons, mas esquecíveis. Só que é bem provável que fique no subconsciente e que algum dia – nem que seja durante a terceira idade – as imagens retidas sejam recuperadas e façam sentido.

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Precisa disso tudo pra ver que ele é velho?

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