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Museu para idiotas

21.05.09

por Daniel Oliveira

Uma noite no museu 2

(Night at the museum: Battle of the Smithsonian, EUA/Canadá, 2009)

Dir.: Shawn Levy
Elenco: Ben Stiller, Amy Adams, Hank Azaria, Owen Wilson, Steve Coogan, Ricky Gervais

Princípio Ativo:
História natural em CGI

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“Uma noite no museu 2” leva a ação do original para o Smithsonian, maior complexo de museus do mundo, localizado em Washington. O que, em blockbustês, é o mesmo que o Homem-Aranha enfrentar três vilões: significa que o orçamento é maior, os efeitos são maiores, a escala é...enfim, você entendeu. Mas não quer dizer que é melhor. Nem que é necessário.

O roteiro é de uma banalidade vergonhosa, mera desculpa para mais uma rave regada a CGI no museu. O protagonista Larry (Stiller) é agora um empresário de sucesso, vendendo produtos pela TV no pior estilo “011-1406”. Mas quando seus “amigos” do museu são mandados para o arquivo morto no Smithsonian do título original, ele é levado a se questionar se está mesmo feliz.

A placa que dá vida aos bonecos de cera também é enviada por engano e Larry parte para salvar o mundo de um vilão-faraó ridículo (Hank Azaria). A gama de personagens históricos ressuscitados desta vez vai de Napoleão a Abraham Lincoln, passando por Al Capone, com o roteiro explorando as piadas mais óbvias possíveis a respeito de cada um. Napoleão é baixinho e complexado, o Pensador de Rodin é um musculoso descerebrado, tudo na medida para a ameba mais tapada na plateia entender.

Os melhores momentos do filme são nas (poucas) referências cinematográficas, como na sequência em preto-e-branco dentro de um quadro sobre o fim da Segunda Guerra (que gera a melhor piada do filme, nos créditos finais); ou na sala espacial, em que o diretor Shawn Levy aproveita o lançamento de um foguete para brincar de “Os eleitos”.

Stiller continua interpretando o sujeito tapado e infantilóide que conversa com macacos, o que deve ter graça para alguém (que eu não conheço), já que o primeiro filme rendeu bulhões de dólares. Uma série de humoristas do “The office” e do “Saturday night live” tentam melhorar o astro em pontas (desnecessárias), mas o efeito é o oposto.

Owen Wilson e Steve Coogan, que se destacaram no longa anterior por não levarem nada a sério, têm seus personagens estragados exatamente ao perder essa qualidade. Quem os substitui é a graciosa Amy Adams, mais uma vez dando alma a uma personagem cartunesca (no caso, a aviadora Amelia Earhart) e sendo a única coisa verdadeira no meio de um monte de bobagem.

E para não falar que “Uma noite no museu 2” é um monte de equívocos e piadas sem graça, um grande mérito deve ser reconhecido: o quase aniquilamento do abominável, detestável e irritante filho do protagonista, interpretado pelo abominável, detestável e irritante Jake Cherry. Sem ele, o filme melhora 100%, o que em blockbustês é...quase nada.

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Graciosa, como Degas.

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