Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Contato de risco

03.06.09

por Daniel Oliveira

Duplicidade

(Duplicity, EUA/Alemanha, 2009)

Dir.: Tony Gilroy
Elenco: Julia Roberts, Clive Owen, Tom Wilkinson, Paul Giamatti, Denis O'Hare, Tom McCarthy, Kathleen Chalfant

Princípio Ativo:
Roberts & Owen

receite essa matéria para um amigo

Julia Roberts e Clive Owen vivem na bolha. Eles podem roubar, mentir, enganar, ser grossos, cruéis, arrogantes e agir como se fossem melhores e mais espertos que todo mundo. Ainda assim nós vamos torcer pelos dois porque eles vão parecer lindos, simpáticos e irritantemente charmosos fazendo isso.

“Duplicidade” se alicerça basicamente nesse princípio para contar o “romance em pé de guerra” dela, Claire Stenwick (homenagem à atriz Barbara Stanwyck, que empresta o ardil à personagem), ex-agente da CIA, e dele, Ray Koval (uma versão tira-sarro de 007), antigo MI-6. Versão contemporânea, corporativa e sem caráter dos casais da screwball comedy, os dois travam diálogos afiados com amor e ódio, enquanto tentam se dar bem com a disputa entre duas megaempresas de cosméticos, comandadas por Howard Tully (Wilkinson) e Dick Garsik (Giamatti).

Claire e Ray são contra-espiões de Garsik mas, na verdade, trabalham somente em interesse próprio. Os dois seduzem, subornam, trapaceiam e usam todos ao seu redor (inclusive um ao outro), ausentes de qualquer escrúpulo na busca por um segredo que pode revolucionar a cosmetologia (e encher seus bolsos de dinheiro).

A brincadeira do diretor e roteirista Tony Gilroy satiriza o clima conspirativo de seus trabalhos anteriores (“Conduta de risco” e os roteiros da série Bourne), abandonando a seriedade deles. Isso faz da trama um mero palco para o show pirotécnico da química explosiva Roberts & Owen, disparando diálogos na velocidade da luz numa disputa para ver quem é mais esperto, charmoso e sacana (ao mesmo tempo).

A ausência de ação e o excesso (e rapidez) dos diálogos, principalmente no início, podem desanimar os mais preguiçosos – é um filme que demanda atenção para fazer rir. Mas ver a dupla de protagonistas brincar deliciosamente com as personas ficcionais criadas pelos seus anos de carreira não tem preço®.

Wilkinson e Giamatti estão muito bem, como de costume, a fotografia é do vencedor do Oscar Robert Elswit e a edição é cuidadosa para não deixar o espectador tonto com o vaivém temporal. Mas, no fim das contas, a idiotice hilária do mcguffin cosmético (“a maioria das pessoas não sabe a diferença entre uma loção e um creme”) torna tudo uma grande prova da capacidade de Roberts-Owen/Claire-Ray de vender qualquer absurdo com seu charme. Analogamente, é quase uma piada com as campanhas publicitárias em que uma estrela hollywoodiana faz um produto absolutamente inútil virar “indispensável”. Eles nos enganam direitinho.

O que não deixa de ser injusto ;)

Mais pílulas:
- Sr. e Sra. Smith
- Obrigado por fumar
- ou Navegue por todas as críticas do Pílula

A vaca mimada e o porra azeda.

» leia/escreva comentários (2)