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Tamanhão ainda maior

23.06.09

por Renné França

Transformers – a vingança dos derrotados

(Revenge of the fallen, EUA, 2009)

Dir.: Michael Bay
Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, John Turturro, Ramon Rodriguez, Tyrese Gibson, Rainn Wilson

Princípio Ativo:
propaganda do exército norte-americano

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Para aqueles que não suportam Michael Bay, aí vai um aviso: passem longe, mas muito longe, de “Transformers – A Vingança dos Derrotados”. Estão lá todos os seus defeitos vícios, do pôr do sol aos soldados glamourizados, passando pela ação frenética picotada em fragmentos de luz e som. E se você é um dos fãs do diretor, sinto informar que esse talvez seja seu pior filme (e sim, estou colocando na conta “Bad Boys II”).

O primeiro “Transformers” era um espetáculo recheado de efeitos especiais, personagens carismáticos (humanos e digitais) e uma dose certa de ironia que desviavam a atenção dos problemas de roteiro e compensavam a inabilidade de Bay como contador de história. E havia ainda o dedo do produtor executivo Steven Spielberg no estabelecimento do coração do filme: um garoto e seu primeiro carro. Ou melhor, a relação de Sam (LaBeouf) com Bumblebee. Pois parece que o sucesso do original deu poder suficiente para Michael Bay esquecer o lado humano e fazer um filme todinho em cima de seu fetiche pelo exército e por máquinas...

Agora, Sam e Bumblebee não possuem relação (nem como dono e carro, nem como amigos). E o mesmo se aplica a todos os outros personagens. O romance à distância com Mikaela (Fox) e o amadurecimento de Sam na faculdade não funcionam como a base emocional que deveria conduzir a narrativa. Os Autobots, por sua vez, surgem como meros operários a serviço do governo dos EUA, desprovidos de personalidade e emoções, dificultando nosso envolvimento com mais uma fuga de Sam dos Decepticons, agora por conter em seu cérebro a localização de uma máquina que pode destruir o nosso sol (a vingança do título).

Apesar de não fazer um filme focado nos personagens, Bay, ironicamente, inunda a história com um excesso impressionante de robôs - e chegam a cansar as várias transformações e lutas. A ação ininterrupta derruba a estrutura aristotélica clássica de início-meio-fim, uma vez que o diretor trata todo seu filme como um clímax infinito, impedindo que haja um crescente narrativo que culmine em um desfecho emocionante.

Para piorar, as piadas constrangem (Simmons de fio dental, um pequeno decepticon excitado nas pernas de Mikaela, as bolas do Devastador...), os atores estão caricaturais e várias passagens não fazem sentido algum. O excesso (de ação, personagens e duração) resulta em uma obra exaustiva e estereotipada que claramente mira nos pré-adolescentes facilmente impressionáveis. O que sobra para a nota aí em cima? Os extraordinários efeitos especiais do filme, incluindo, é claro, Megan Fox.

Mais pílulas:
- A hora do rush 3
- Uma noite no museu 2
- A múmia: Tumba do imperador dragão
- ou Navegue por todas as críticas do Pílula

A ideia de diversão de Bay: bombardear vilas milenares no meio do deserto.

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