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Aqueles que não falam inglês

por Braulio Loretnz

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Imagino este grupo de quatro estudantes de Comunicação Social da UFMG numa sala, com um mapa-múndi estendido em uma mesa. O mapa está todo rabiscado e ao lado o que se vê são pilhas de CDs e DVDs e um computador fazendo muitos downloads de clipes e músicas de bandas do Uzbequistão, África do Sul, Índia, México, Croácia, Bélgica, Lituânia, Argentina ou Coréia do Sul. Ok, claro que não há disco algum e tudo é feito à base de MP3, MPEG, AVI e outras extensões.

O Invasões Bárbaras é formado por Hidson Guimarães, Igor Costoli, Thiago Vetrô e Tiago Capixaba, que descobriram, no começo de 2005, que tinham um objetivo em comum: derrubar o império. “O império sugerido é o da língua inglesa, do domínio dos Estados Unidos, Inglaterra e ex-colônias no mercado fonográfico. A lembrança das invasões bárbaras se torna bem sugestiva. Afinal, os bárbaros eram aqueles que não falavam latim”, explica Capixaba. “Pra ser sincero nunca vi aquele filme [Les Invasions Barbares, de 2003] e não achei que valeria a pena abortar um bom nome”, confessa.

A divisão de tarefas entre o bárbaro quarteto é que me leva a pensar na cena que abre este texto. “Eu faço a seleção musical da Europa. Vetrô, da Ásia. Capixaba e Costoli das Américas. E qualquer um ataca a África quando der vontade”, conta Hidson. “Em outras palavras: todos fazem produção”, resume Capixaba. Ele explica que a escolha das músicas do programa não é feita de acordo com o gosto pessoal dos produtores: “Analisamos o material pela representatividade. A gente entra em contato com coisas muito interessantes, que são diferentes e que são boas pelo ineditismo”.


O coreano Moon hee jun tem a franja maior do que a de qualquer emo do ocidente

Com pouco mais de três meses de vida, o projeto já é figurinha fácil nas emissoras educativas de Belo Horizonte. Em junho, estrearam o programa na rádio UFMG Educativa, 104.5 FM, diariamente às 15h15, com reprise à 00h30. No começo de agosto, ganharam quadro semanal no programa Agenda, da Rede Minas.

Quando perguntados sobre qual dos formatos eles preferem, o que se ouve é um coro muito bem ensaiado. “Rádio!”, respondem quase simultaneamente. Mas, por quê? “Nossa matéria-prima é a música, e o rádio contempla isso. TV é apenas uma extensão, com os videoclipes”, opina Hidson.

Capixaba tem outro motivo para preferir o programa de rádio do Invasões: “Porque a gente sabe o dia que passa”. “Somos muito gratos pelo espaço no Agenda e com ele chamamos público pro nosso programa de rádio. Mas a falta de um dia fixo é o grande problema. Como não estamos na Rede Minas, temos pouco poder de decisão”, emenda Igor, com um certo tom de lamentação. “Na rádio temos nosso programa, na TV fazemos uma participação especial em outro programa. A gente não apresenta, é entrevistado”, explica Hidson.


Música brega da Romênia também tem vez no programa...

Depois de invadir rádio e TV, os planos de domínio continuam. “O site vai ser o carro-chefe em termos de conteúdo. A gente vai trazer informações sobre artistas e gêneros, como fazemos na rádio e TV, mas bem contextualizados. Vamos trazer informações muitas vezes inéditas no conteúdo da internet em língua portuguesa”, conta Hidson.

Hayehudim, Sarit Hadad e outros nomes da música de Israel são unanimidade quando o papo é sobre sons que de certa forma decepcionaram. Veja, então, as listas das melhores atrações que já passaram ou ainda vão aparecer no Invasões Bárbaras, de acordo com a opinião dos integrantes do projeto:


O Seeed é uma banda alemã de dancehall, e uma das preferidas do quarteto

Hidson: Andrius Mamontovas (Lituânia), Baustelle (Itália), Freshlyground (África do Sul), Manga (Turquia) e Colônia (Croácia).

Vetrô: Seeed (Alemanha), Hadag Nahash (Israel), Juli (Alemanha), Bulldog manson (Coréia) e Radius 21 (Uzbequistão).

Capixaba: Tanghetto (Argentina), Nosliw (Alemanha), Alina e Costi (Romênia), Café Tacuba (México) e Bulldog Mansion (Coréia do Sul).

Costoli: Seeed (Alemanha), Miranda (Argentina), Spitalul di Urgenta (Romênia), Pidzama Porno (Polônia) e Radius 21 (Uzbequistão).

Agora basta correr atrás do Peer to Peer mais próximo e baixar essas belezuras. Derrube você também o império em seu Winamp, Windows Media Player, iPod ou tocador de sua preferência.

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