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Loja de Conveniências
Daniel Oliveira
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5 aprendizes de Peter Pan

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Macaulay Culkin se envolveu com drogas e faz filmes sobre drag queens, enquanto seu irmão mais novo faz pérolas como “A Estranha família de Igby”. Simony faz mais sucesso posando para a Playboy e engravidando de gangsta rappers do que cantando. Angélica....bem, Angélica. O que é mesmo que a Angélica faz de útil ou interessante? Ser astro infantil pode até ser fácil, mas se manter na crista da onda não. Será que existe uma maldição de Peter Pan que impede as estrelas mirins de crescerem e se tornarem adultos de sucesso?

A questão fica para ser respondida por um expert, já que eu decidi seguir outro caminho. Ao invés de me importar com astros como os do parágrafo acima, que cresceram e destruíram suas carreiras, eu fiz algo mais interessante. Selecionei uma lista de cinco crianças, que fizeram muito sucesso durante a minha infância e depois desapareceram. Você provavelmente se lembra de todos os nomes biografados abaixo, mas não tem a mínima idéia de onde eles andam. Esperava encontrar algum caso extremo, como o de uma reportagem que eu vi há um tempo atrás, com o ator que fez o Pedrinho da primeira versão do “Sítio do Picapau Amarelo”. Ele tinha virado advogado e nem sonhava mais com o estrelato.

As histórias abaixo não são tão absurdas, mas nem por isso menos interessantes. Leia-a até o final e surpreenda-se, como eu.

1- Jordy Lemoine: Ahn?! Esqueça o sobrenome e se concentre no primeiro: Jordy. Vai dizer que não lembra mesmo do francês fofinho que dominou as paradas pop em 1992, com apenas 4 anos? C’est dur dur d’être bebe foi um hit – que ninguém sabia cantar direito – mas todo mundo balançava o esqueleto quando ouvia. Ainda mais quando se via o clip, ou qualquer outra coisa na TV, que mostrasse o loirinho minúsculo que entoava o hino infantil com ritmo de rap. Ele ainda lançou outro disco de menor sucesso seguindo o hit. Mas e depois? Bem, dois anos depois de discursar como era difícil ser um bebê, a justiça francesa parece ter entendido uma mensagem subliminar nas letras do menino. Decidiram que ele estava sendo explorado pelos pais e proibiram Jordy de continuar sua carreira artística. Qualquer semelhança com Macaulay Culkin não é mera coincidência. Seus pais curiosamente se separaram dois anos mais tarde e, segundo reportagem recente, Jordy, hoje com 16 anos, vive com a mãe numa fazenda. E sonha em ser – olha só - um DJ de música techno quando ele crescer. Já imaginaram uma versão remix de dur, dur... invadindo as pistas de dança? Eu aposto minhas fichas no garoto.

2- Punky, a levada da breca: Essa não dá pra confundir, né? Com a descrição acompanhando o nome, a menina era a estrela de um seriado em que uma órfã era adotada por um tiozinho muito bacana, de nome Artur. Depois, virou um desenho meia-boca com um bichinho muito estranho chamado Glommer, que era tipo o Gorpo do He-Man, ou o Geninho da She-ra. Mas e depois? Essa não sofreu mesmo da maldição de Peter Pan. Soleil Moon Frye era o verdadeiro nome da levada da breca e ela não parou de trabalhar desde o seriado, que data de 1984. Segundo o site A Arca, a menina virou uma mulher gatíssima, participou de um monte de filmes B e até dirigiu seu próprio independente, com Scott Caan, de “60 segundos”. Sem contar participações em séries famosas como “Friends” e “Anos incríveis”. Em 2003, ela fazia parte do elenco de “Sabrina – Aprendiz de Feiticeira”, como Roxie King. Soleil terminou recentemente um documentário sobre o pai, o também ator Virgil Frye, que sofre de Alzheimer. Sem distribuidor, o filme foi apresentado no San Diego Film Festival e recebeu elogios. Sigam a lição, crianças: não basta ser astro infantil, tem que ser levado da breca.

3- Juninho Bill: Uni-duni-duni-tê, ooooohhhhh, salamê-mingüê, oooooohhhhh, sorvete colorê....Quem não entoou os verdadeiros hinos de fralda e calça plástica do Trem da Alegria? Piuí-abacaxi e Thundercats faziam parte do repertório desse grupo infantil, que teve várias formações, mas que de grande nome só deixou a figuraça Juninho Bill para a posteridade. Seu nome verdadeiro era Luís Carlos, mas como era fã de faroestes, o pai – de mesmo nome – o apelidou de Juninho Bill. Depois de participar do Festival Internacional da Criança, concurso de talentos infantis promovido pelo SBT, Juninho foi convidado a integrar a primeira formação do Trem da Alegria e ficou com o grupo até o final, em 1992. Mas e depois? Bill participou de bandas cover de Red Hot Chilli Peppers, tentou se rebatizar de Bill Favela e, pasmem, até iniciou carreira futebolística no Corinthians e na Portuguesa (o cara jogou até em time do Mato Grosso!). As últimas notícias do moçoilo, porém, afirmam que ele terminava a faculdade de Jornalismo e tocava no Bar Fidalga, em São Paulo, com a banda de rock 1, 2, 3, Testando. Astro mirim, jogador de futebol e roqueiro frustrado? O cara é a síntese do pop esculacho nacional. Agradecimentos ao site A Arca, novamente.

4- Duda Little: Dessa pirralha é difícil de esquecer. Depois de ser repórter da Xuxa com 8 anos, a menina infernizou a vida dos Trapalhões, em quadros como o “Trapa Hotel” e filmes como “Os Trapalhões e a árvore da juventude” e “O Mistério de Robin Hood” (nesse filme, tinha a Xuxa também. O Didi trabalhava num circo, achava a personagem da Duda na rua e pensava que ela era um menino, lembra? Só que ela era rica e muda, e no final falava: “Homem mau...me roubou do meu pai!” Era emocionante). A garota era até bonitinha e chegou a entrevistar caras como o Pelé e o Ziraldo no programa da Xuxa. Depois, ela foi pra Manchete e ganhou um programa só dela: o Dudalegria, que ficou no ar por 4 anos – Os Cavaleiros do Zodíaco chegaram a passar nesse programa. Mas e depois? Duda Little, ou melhor, Maria Eduarda prestou vestibular para Jornalismo (será uma constante entre ex-astros mirins brazucas?) em 1996 e decidiu se dedicar somente aos estudos. Em 2001, com 21 anos e formada, a moça trabalhava como produtora na Rede Record e guardava da frente das câmeras uma nostalgia longínqua....Quem mandou pentelhar os Trapalhões....

5- Jonas Torres, o bacana: Esse é cláaaaaaaaaassico! Quem não lembra da “Armação Ilimitada”, e do menino que vivia com o Juba e o Lula, o Bacana? “Ai, meu saquinho...” era o bordão do personagem de Jonas Torres, um dos mais adorados pelas crianças que assistiam a uma das melhores séries dos anos 80, reprisada várias vezes pela Globo. Jonas Torres também começou a carreira cedo, aos 6 anos no filme “Bar Esperança”, de Hugo Carvana. Fez novelas, mas até hoje nenhum papel lhe deu tanto destaque quanto o Bacana da “Armação Ilimitada” (fala sério, com um personagem com esse nome, o cara já vai pro céu). Mas e depois? Filho de pai norte-americano, Jonas Raible serviu o exército dos EUA (!?) em 1994 e quase foi pra Guerra no Haiti! Voltou para o Brasil em 1996/97 e fez uma temporada de “Malhação”, que lhe mostrou que ele não sentia mais vontade de atuar (também, que escolha, né, Bacana?). Jonas decidiu voltar pra terra do Tio Sam e aprender a pilotar avião, como o pai. Em 2002, já tinha 700 horas de vôo e pretendia alcançar a marca das 1500 para se tornar piloto de uma grande companhia. Trabalhava como instrutor na Sunrise Aviation, em Flanger Beach, na Flórida e fazia aventuras como pescar no Alaska (herança do espírito de Juba e Lula?). Da carreira artística, só torcia pelo irmão, Caio Junqueira (que fez “Engraçadinha” e o filme “Seja o que Deus quiser”, da MTV). Ditado: Tudo o que é bacana, dura pouco.

E você, quer saber do futuro de algum astro mirim desaparecido? Ou sabe de algum outro e quer reclamar de alguma ausência nessa lista? Entre em contato com a gente e, quem sabe, a Loja de Conveniências faça uma 2ª edição dos aprendizes de Peter Pan...

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Daniel Oliveira é jornalista e fã de Grey's Anatomy.
daniel@pilulapop.com.br

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