O concerto

Nossa avaliação

[xrr rating=3/5]

Mélanie Laurent, uma beleza clássica.

“O concerto” começa com um ritmo tão alucinante, a trama se desenvolvendo de forma tão rápida, improvável e (meio) caótica que é difícil assimilar que o filme se passa no mundo sisudo da música clássica. Esse inesperado funciona até certa altura e há um momento em que você chega mesmo a pensar que o longa não quer que você o leve muito a sério. Só que daí ele quer. E é quando a coisa começa a complicar.

O filme do diretor Radu Mihaileanu acompanha Andrey Filipov (Guskov), um ex-maestro da tradicional orquestra Bolshoi russa, que sobrevive como zelador do teatro da companhia após ter perdido o emprego por razões políticas durante o regime socialista. Ele intercepta um convite para um concerto em Paris e decide ressuscitar sua carreira, montando uma orquestra com os antigos colegas para uma apresentação do Concerto para orquestra e violino de Tchaikóvsky.

Essa é a parte cômica do longa, que retrata um bando de velhos que perderam qualquer contato com a música voltando “à ativa” pelos motivos mais escusos. Só que a viagem de Andrey a Paris tem uma razão mais pessoal e profunda: uma culpa que ele carrega há anos e envolve a violinista Anne-Marie Jacquet (Laurent), escolhida por ele como solista para a apresentação.

Piada de tio bêbado: toca uma pra mim!

Quando essa trama passa a dominar o filme na metade final, o que havia se esforçado até então para ser uma farsa billywilderiana faz uma curva para o melodrama familiar. E apesar da boa atuação de Aleksey Guskov como Andrey, “O concerto” não consegue sustentar o peso dramático a que se propõe. Especialmente porque o humor da série de “tipos” coadjuvantes continua a ser intercalado na trama, numa edição frenética que acaba dispersando a atenção (e emoção) do espectador. O ritmo da montagem de Ludo Troch, que impressiona no início, acaba atrapalhando.

Na verdade, algumas tramas e diálogos são tão rápidos que somente Billy Wilder em pessoa conseguiria manter tantas gags fluindo organicamente. Outras, pior ainda, soam meramente preconceituosas e estereotipadas, como o pai e o filho judeus.

Com isso, “O concerto” acaba no meio do caminho entre uma comédia de Wilder e “A escolha de Sofia”, sem se realizar plenamente como nenhum dos dois. A cena da apresentação deveria redimir isso tudo. Mas até ali, o diretor Radu Mihaileanu se esforçou tanto para mostrar que os membros da orquestra não vieram a Paris para tocar, que é difícil suspender a descrença no que acontece naquele palco. O Concerto de Tchaikóvsky, assim como toda a trilha musical do filme, certamente emociona com sua beleza estonteante. Pena que “O concerto”, o filme, não.

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