Tennis – Cape Dory

Nossa avaliação

[xrr rating=3/5]

Patrick Riley e Alaina Moore são jovens, bonitos e constituem um casal. Como todo duo jovem e casado sonha em fazer, mas acaba não concretizando por falta de coragem (ou porque estão ocupados demais acordando às seis para trabalhar o dia todo), resolveram passear por alguns meses em um veleiro. O que traz esse feliz contexto ao Pílula Pop é que eles resolveram gravar um disco sobre a jornada. E o negócio floresceu e tá bombando horrores na Indieland.

Riley e Moore são o Tennis, o novo duo mais fofo da música atual (2010 foi bom enquanto durou, né, Best Coast?). Às vezes shoegazer, às vezes um Beach Boys mais melancólico – Brian Wilson refugiado em um albergue abandonado com alguns encadernados de Peanuts foi o que me veio direto à mente ao ouvir “Bimini Bay” –, “Cape Dory” é um bom começo para a temporada de caça aos novos e inevitáveis hypes.

É necessário muita má vontade para achincalhar um álbum de um casal em tal ápice de fertilidade amorosa (a não ser que você seja algum tipo de Sylvester Stallone). Mas o disco se manteria firme mesmo sem toda a história que o circunda, embora títulos como “Long Boat Pass” e “Waterbirds” nos impeçam de esquecer. Essa última, inclusive, emula um clima Skeeter Davis que cativa sem muito esforço.

“Baltimore” e “Seafarer” são as mais roqueirinhas, embora Alaina não perca a candura em nenhum ponto do álbum. Se você viu a capa aí em cima e pensou que ia se deparar com algum tipo de electrodisco-kitsch-lascivo, pode esquecer. É melhor tratar logo de restaurar aquelas mp3 do Le Tigre que você jurou nunca mais mencionar.

Não gosta do indie-pop de bandas como Belle And Sebastian, Los Campesinos! e Camera Obscura? Eu também não. Gosta? “Cape Dory” soará ainda mais aveludado para você. Mas (e agora uso, justificadamente, o epíteto – “mais” – que inevitavelmente sempre pinta em resenhas) o Tennis pula um pouco mais à frente. É indie-pop, sim, mas com sol e água de coco de mais e síndrome de inadequação social de menos.

E eu espero, SINCERA E HUMILDEMENTE que, depois desse texto e de todos os outros que já saíram, alguém nos faça o favor de incluir uma página sobre eles na Wikipédia.

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