HQs da semana: 11 de maio

Nossa avaliação

Semaninha bem movimentada no mundo dos quadrinhos… O destaque foi com certeza a edição de abertura do novo crossover da DC, “Flashpoint”, que chega para competir com “Fear Itself” pelos dólares dos leitores americanos. Será que a Distinta Concorrência conseguiu superar a Marvel? Vamos ver:

  • A estória de “Flashpoint” começa mesmo antes da primeira edição da série, com um prelúdio publicado em “Flash #12”. Trata-se da edição final deste volume mais recente do corredor escarlate, e seu cancelamento é sintomático dos problemas que o título enfrentou no último ano. Ressuscitado em “Final Crisis”, o Flash da Era de Prata Barry Allen não teve a chance de se restabelecer no universo DC e a tentativa de repetir a fórmula usada com Hal Jordan, que culminou no bem sucedido crossover “Blackest Night”, não tem rendido os mesmos resultados. Parte da culpa é dos artistas: Ethan Van Sciver atrasou “Flash: Rebirth” meses, e o competentíssimo Francis Manapul acabou se mostrando ainda mais lento. Que ironia o título do homem mais rápido do mundo tenha ser prejudicado por tantos atrasos!
    Mas a outra parte da culpa é de Geoff Johns, que não conseguiu fazer de Barry um personagem interessante. É o mal da era de prata: Hal Jordan também sofre da mesma “falta de personalidade”, e os últimos anos pouco adicionaram em profundidade ao personagem. Ainda assim, a rica mitologia do Lanterna Verde rendeu muito ao roteirista, coisa que não aconteceu com o Flash.
    O que redime em parte o título é o fato de que o velocista tem seu próprio filão a ser explorado: os vilões. E quem brilha na edição é Eobard Thawne, o Professor Zoom. Dono de um poder que ultrapassa a mera supervelocidade e quebra as barreiras do tempo, ele pode destruir a vida de qualquer pessoa em um piscar de olhos – exceto do seu maior inimigo, pois alterar a história de Barry afetaria sua própria origem, gerando um perigoso paradoxo.  Destaque para a luta entre Zoom e Hot Pursuit, que acaba permitindo ao vilão realizar a sua maior fantasia…

  • E saltamos então para “Flashpoint #1”: sem aviso, Barry Allen acorda em um mundo bem diferente daquele que nós e ele conhecemos. Batman é dono de incontáveis cassinos em Gotham. Aquaman e Mulher-Maravilha lideram exércitos em uma guerra pelo domínio do mundo. Abin Sur nunca morreu, e portanto nunca passou o anel do Lanterna Verde para Hal Jordan. Ninguém nunca ouviu falar do Superman, e o Capitão Marvel se chama “Capitão Trovão”, e parece uma mistura do He-Man com o Capitão Planeta… e assim por diante.

É difícil não comparar o esforço da DC com o outro crossover do ano, “Fear Itself”. Será que “Flashpoint” supera a concorrência? É difícil julgar, tendo apenas a primeira edição como base, mas a resposta, por enquanto, é “não”. No quesito arte, os dois títulos estão bem servidos; mas por alguma razão, o estilo levemente caricatural de Andy Kubert não “cai” bem com os roteiros de Geoff Johns – a cena em que Barry encontra sua falecida mãe viva no novo universo devia ser tocante, mas acaba sendo esdrúxula. Some-se isso ao fato de que a premissa da saga soa bem parecida com a “Era do Apocalipse” e “Dinastia M”, e o resultado não é lá muito original – o que só piora se levamos em conta também os anos da linha “Túnel do Tempo” da DC.

E outro problema, mais uma vez, é a falta de “sal” do protagonista. Barry Allen é um homem obcecado com seu trabalho; mas não com o “trabalho” de super-herói – Batman é obcecado com o vigilantismo e isso faz dele um riquíssimo personagem (não literalmente, embora também o seja). Barry é obcecado com seu trabalho de inspetor forense, e a impressão que temos é a de que ele nem gosta tanto de ser um super-herói – o que, considerando a natureza de “fantasia adolescente” do gênero, nos faz questionar a sua sanidade. É curioso, então, que Johns tenha escolhido colocar Barry ao lado do próprio Batman em “Flashpoint”; ainda mais curioso assim que descobrimos que este Batman não é o mesmo homem que conhecemos…

A primeira edição traz apenas uma rápida insinuação do motivo por trás da transformação do universo, mas o leitor de “Flash” sabe que o culpado é o Professor Zoom, que anda avacalhando com a história. Mas fica no ar a questão: se Barry não tem mais os poderes do Flash, isso não geraria um paradoxo? Afinal, sabemos que o vilão só ganhou seus poderes “imitando” o acidente que deu a Barry os dele. Grande tropeço do roteirista…

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