HQs da semana: 6 de julho

Nossa avaliação

A temporada dos crossovers Marvel e DC chega à metade, com o lançamento da parte 4 de 7 de “Fear Itself” e a parte 3 de 5 de “Flashpoint”. Até agora o saldo tem sido positivo: as duas sagas superam em qualidade quase todos os outros crossovers da década (a possível exceção seria “Blackest Night”, da DC).

Curiosamente, as duas sagas compartilham alguns dos seus maiores defeitos, como o design horrível das capas. O aspecto mais negativo das duas edições, entretanto, é o quanto parecem curtas.  “Flashpoint #3” tem 25 páginas de história, enquanto “Fear Itself #4” tem apenas 22 – o que é especialmente irônico se pensarmos que cada capítulo da saga é chamado de “livro”. Rá! Pior que isso, é o fato de ambos os títulos darem a impressão de serem ainda mais curtos: lê-se cada um deles em menos de 15 minutos. Bons tempos os de “Crise nas Infinitas Terras”, quando um crossover tinha de ter doze edições de 48 páginas pra ser considerado épico. À quantidade limitada de páginas soma-se um certo desperdício: pra que gastar tantas páginas com a tentativa frustrada de Barry Allen recuperar seus poderes, ou o encontro de Lois Lane com um personagem inesperado da resistência britânica, ou com uma cena descartável de corpos atlantes boiando no oceano?

Mas falemos dos pontos positivos. “Flashpoint #3” nos apresenta uma versão bem curiosa do homem de aço, que já foi apelidada na internet de “Superman Gótico”. E é aí que está a graça da saga: em conferir as versões alternativas dramaticamente alteradas de heróis familiares. Geoff Johns sabe disso e investe seu roteiro numa tentativa de reunir os membros da Liga da Justiça, que até então não existe no universo de “Flashpoint”. Mas também é onde sentimos um buraco no roteiro: de que adianta reunir o super-grupo, se a única maneira de derrotar o vilão – no caso, o Flash Reverso – seria viajar pelo tempo para desfazer as “mudanças” promovidas por ele?

Já “Fear Itself #4” eleva um pouco mais o nível da saga, que havia decaído após o capítulo inicial. Aqui o foco é na tríade da Marvel: Capitão América, Thor e Homem de Ferro. De um lado, o Capitão veste novamente seu uniforme para vingar um companheiro caído e confrontar a Caveira Vermelha, um dos personagens controlados pela Serpente. Já Thor vai ter contas com o próprio Serpente, mas acaba se deparando com aquela que promete ser a maior luta da história do universo Marvel (mas que fica para a próxima edição). E Tony Stark faz um sacrifício ao mesmo tempo terrível e ridículo para chamar a atenção de Odin, que havia deixado a humanidade à mercê do deus do medo.

E é aí que a premissa por trás de “Fear Itself” se revela. Parece que um editor disse a Matt Fraction: queremos que você faça “Blackest Night”, só que com personagens Marvel e usando a mitologia do Thor, ao invés da do Lanterna Verde. Martelos encantados, e não anéis mágicos! Pois é, as semelhanças entre as duas sagas são grandes demais para serem ignoradas: temos uma antiga ameaça secretamente aprisionada há séculos pelas forças do bem (Necron, banido pelos Guardiães/Serpente, encarcerado por Odin), que recupera seus poderes alimentando-se das emoções negativas trazidas pelo seu exército de personagens familiares controlados por artefatos sobrenaturais (os Lanternas Negros/os “Dignos”). E como aconteceu em BN, veremos ainda os heróis ganhando suas próprias armas (anéis) com direito a novos designs voltados exclusivamente à venda de action-figures.

Mas não me entendam mal, isso não quer dizer que “Fear Itself” seja ruim. A qualidade dos roteiros de Fraction e da arte de Stuart Immonen mais do que compensa a falta de criatividade!

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