Islands – A Sleep & A Forgetting

Nossa avaliação

[xrr rating=3.5/5]

Logo após o fim de um relacionamento, é comum que as pessoas se tranquem no quarto por algum tempo. Seja para ouvir The Cure, naquele clima de “ninguém me ama, ninguém me quer”, seja para stalkear o (a) ex no Facebook ou mesmo traçar planos de vingança. Há ainda uma pequena parcela da população que prefere compor um disco para exorcizar seus demônios.

É o caso de Nick Thorburn, líder do grupo canadense Islands. Após se divorciar, Thorburn se refugiou no quarto da casa da amiga de um amigo e compôs, ao piano, as canções de “A Sleep & A Forgetting”, quarto álbum da banda. Como se a tortura fosse pouca, ele começou a escrever as músicas no Valentine’s Day e o disco foi lançado, um ano depois, justamente na data maldita.

As letras do álbum, extremamente confessionais, deixam claro o estado depressivo do líder da banda, com referências constantes ao choro e ao sentimento de perda (“I miss my wife/I miss my best friend/Every night”, lamenta em “Can’t feel my face”). As melodias, em sua maioria, porém, são leves e agradáveis, como se tentassem anestesiar a dor dos versos desiludidos e disfarçar a real condição de Thorburn.

“A Sleep & A Forgetting” é construído como um pequeno labirinto em seus 37 minutos de duração, no qual Thornburn parece estar perdido, mas cujos caminhos certos podem ser encontrados por meio dos versos. Em “Cold Again”, ele lamenta que está ficando frio, o que leva ao cenário da abertura de “In a Dream (It seemed real)”, quando ele já está congelando e pede que abram a porta e o deixem entrar. Na canção, mesmo nos sonhos, ele chora, e continua a derramar lágrimas na bela “No Crying” (“And I think I’ll cry just a little while”) e em “This is not a Song” (“Feels a crime to be crying for this long”). Se essa faixa “não é uma canção”, em “Never Go Solo”, Thorburn, em negação e raiva, vai além e canta que eles próprios não são uma banda, e que você (sim, você mesmo) não é um fã.

Em boa parte do álbum, o andamento tranquilo e relaxante sofre apenas algumas derrapadas, em trechos nos quais a dor dos versos transcende as palavras e derruba também as melodias, centradas em arranjos simples de piano e guitarra. Nos acordes tristes do refrão de “No Crying” (faixa que funcionaria perfeitamente naqueles bailes românticos dos anos 50), e na parte instrumental que rasga o trecho final de “This is not a Song”, pequenos detalhes rompem a aparente calmaria.

Aos poucos, esse rompante se torna mais forte, e a leveza das canções cede, definitivamente, sob o peso das letras. Nas faixas finais, Thornburn soa cansando de tentar enganar a si próprio (e ao ouvinte), e se entrega totalmente. Em “Don’t I Love You?” e “Same Thing” (“There’s no one in this world/I could ever love again”), o clima é desolador, como se os tempos de negação tivessem passado e o líder do Islands caísse na depressão profunda.

Talvez, com a conclusão de “A Sleep & A Forgetting”, Thornburn tenha curado suas dores e conseguido “dormir e esquecer”. Caso o estado de conforto não dure muito, que mais quartos fechados se abram para suas composições.

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