HQs da Semana: 19 de setembro

Nossa avaliação

Se houvesse um prêmio para a HQ mais depressiva do ano, muito provavelmente iria para “Fables #121”, que não deixa de ser a melhor edição da semana. O oitavo e último capítulo do arco “Filhotes da Terra dos Brinquedos” mostra o destino pouco feliz de dois dos sete filhos de Branca de Neve e Bigby Lobo, com uma lição dura sobre as regras da magia no mundo criado por Bill Willingham. Evocando uma estrutura similar à jornada do Papa-Moscas em “O Bom Príncipe” (mas muito mais cruel), a estória se estabelece o oposto de uma fanfic ao mostrar que o autor não tem receio de colocar os personagens mais fofos nas mais terríveis situações. Sério, gente, não estou exagerando. Vocês não vão ver muitas estórias sobre crianças por aí contendo coisas como canibalismo e suicídio. “Filhotes da Terra dos Brinquedos” é um dos arcos mais sombrios de “Fables”, mas não é o tipo barato de “sombrio” que é usado para causar impacto nas HQs de super-heróis.

“Wonder Woman #0” é uma das edições especiais que comemoram um ano da reformulação do Universo DC com um olhar para o “novo” passado de alguns personagens. A Mulher-Maravilha foi uma das heroínas mais alteradas pelo “reboot”, e isso fica evidente na edição. Construída com uma narrativa no estilo da Era de Prata, a estória narra parte da adolescência de Diana na Ilha de Themiscira, e o relacionamento que ela desenvolve com o deus da guerra, que lhe serve de figura paterna substituta. A edição serve para comprovar a superioridade da versão nova da mitologia da heroína: saem as amazonas vestidas de toguinhas e a “Ilha Paraíso” com suas colunas de mármore branco, e entra uma versão mais “suja” e plausível do lugar, povoado de guerreiras. A melhoria também é evidente no visual e na personalidade de Ares, que deixa de ser um vilão que mais parecia saído de um episódio de “Power Rangers” para se tornar um personagem tridimensional que não ficaria fora de lugar em um volume de “Sandman”.

“Justice League #0”, por outro lado, não mostra o passado da Liga da Justiça (já que isso foi mostrado no primeiro arco de estórias do título), e sim narra o momento em que o garoto Billy Batson torna-se pela primeira vez o herói Shazam (antigamente conhecido como Capitão Marvel, mas muita gente chamava de “Shazam”, mesmo). A versão de Geoff Johns para a origem do personagem não deixa de ser interessante, ao trocar o antigo mago de visual genérico por um feiticeiro africano e fazer dele o último sobrevivente de um “Conselho dos Magos”, responsável por “esconder” a magia do mundo e inadvertidamente iniciar a era da razão. O novo visual do herói, entretanto, continua tão ridículo e sobrecarregado quanto das primeiras vezes em que foi mostrado aos leitores. Parece que vai levar um tempo pra nos acostumarmos…

 

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