O Tempo e o Vento

Nossa avaliação
Time and the Wind (2013)
Time and the Wind poster Direção: Jayme Monjardim
Elenco: Fernanda Montenegro, Thiago Lacerda, Marjorie Estiano, Janaína Kremer Motta


É sintomático que um filme sobre um dos mitos de fundação do Brasil toque uma música em inglês durante seus créditos finais. “O Tempo e o Vento” não parece interessado em identidade, formação do sul do país ou um amor que transcende a morte. Não consegue ser épico e nem intimista. Não faz com que nos importemos com os personagens. Em suma, a saga da família Terra é contada, mas não narrada.

A bela história da obra de Érico Veríssimo é espremida em duas horas que passam como se fossem três. As idas e vindas no tempo atrapalham o ritmo e o excesso de off presta tributo aos livros, mas não funciona tão bem em uma obra audiovisual. Jayme Monjardim não consegue imprimir emoção nas cenas, e nem parece se interessar pelo caráter histórico, criando um filme que não consegue dizer a que veio. As imagens são bonitas, os planos bem organizados, mas não há nada além do “quero-ser-E o Vento Levou”.

São cerca de 150 anos de uma família, desde a origem dos Terra Cambará até sua rivalidade com as Amaral no Rio Grande do Sul. Fernanda Montenegro como Bibiana já velha e Thiago Lacerda como o capitão Rodrigo seguram bem o eixo narrativo da história, mas todo o elenco é competente. Entretanto as decisões do roteiro em contar o máximo possível em pouco tempo, somadas à direção burocrática, não deixam muito espaço para nada que não seja o básico de uma história sendo contada.

Não é por acaso que “O Tempo e o Vento” tenha personagens com o sobrenome Terra, e apresente índios, padres, castelhanos, soldados. Trata-se de uma história de formação de um povo, mas o diretor ignora isso e faz um novelão genérico bem produzido (apesar das risíveis cenas de batalha) que não consegue nunca escapar da monotonia. A memória, essencial para a obra literária, é resumida a flashbacks, e Monjardim parece não se dar conta de que o tempo da imagem é também tempo passado, perdendo a oportunidade de usar a duração dos planos a seu favor. Apenas na cena final, quando Marjorie Estiano desce as escadas, “O Tempo e o Vento” dá um breve vislumbre do sublime que poderia ter sido, ao usar a atriz como avatar do passado e assim presentificar a memória. Pena que é pouco. Muito pouco.

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