O esquadrão da galáxia

Depois de algumas leituras mais sérias, e também de um dia a dia cada vez mais pesado, com várias notícias absurdas vindas do governo, fui para uma leitura mais leve. Peguei em minha estante, então, a HQ Guardiões da Galáxia: Mãe Entropia de Jim Stalin e Alan Davis porque precisava de diversão. E encontrei.

Cinema e quadrinho

Guardiões da Galáxia: Mãe Entropia foi lançada em 2017 pela Marvel e chegou por aqui em 2020. A história faz parte do selo Original Graphic Novel, lançado pela Marvel para atrair os fãs dos filmes da MCU que não conhecem os quadrinhos. Assim, com este selo, esses fãs podem conhecer histórias fechadas dos mesmos personagens, no cânone dos quadrinhos, mas que podem ser lidas de maneira independente.

A equipe criativa para este selo tem a presença de autores renomados da Marvel, em Guardiões da Galáxia: Mãe Entropia não é diferente. Jim Stalin, conhecidíssimo roteirista que deu vida a uma das maiores histórias do Thanos, e Alan Davis, muito conhecido por desenhar os personagens cósmicos da editora, principalmente o Capitão Marvel.

Na história, os guardiões acumularam diversas dívidas com muitas pessoas, e para pagar, eles começam a procurar novas missões. Durante a busca, eles esbarram com a Mãe Entropia, um ser feito de plantas que se espalha como um vírus e tem como objetivo transformar toda a galáxia em zumbis plantas.

Leveza cósmica

À primeira vista, Mãe Entropia parece uma história bem descartável. Uma apresentação simples dos personagens, algumas piadas desajeitadas que dá até um pouco de vergonha alheia ao lê-las. Mas, conforme a história se desenvolve, conseguimos ver que Stalin e Davis transportam para a HQ exatamente a mesma alma que James Gunn colocou nos Guardiões da Galáxia no MCU, e que acabou de fazer a mesma coisa com O Esquadrão Suicida, filme que ele dirigiu que que estreou esta semana.

Mãe Entropia traz uma dinâmica de família aos Guardiões que nos quadrinhos sempre patinava em acontecer. Gosto muito da fase escrita por Brian Michael Bendis, mas as questões cósmicas eram bem maiores do que a relação de cumplicidade entre a equipe.

Este tema é colocado tão em voga dentro de Mãe Entropia. A vilã da história, antes de começar a se espalhar pela galáxia, precisa de um hospedeiro, e não encontra na equipe dos Guardiões, isso porque, o pré-requisito era ser egoísta.

Desajustados

Algo que também chama atenção de Mãe Entropia é a moral, com um fechamento vindo pelas mãos do personagem mais caricato do grupo, Groot. Claro, isso não é novidade para quem acompanha os filmes, o primeiro Guardiões da Galáxia, de 2014, coloca em Groot a responsabilidade de salvar a equipe. Stalin e Davis trazem isso também para sua Graphic Novel.

Mas, é importante lembrar sempre que Guardiões da Galáxia é uma equipe de desajustados, que neste desajuste acabam descobrindo a unicidade e a homogeneidade. E ali, passam a ter aceitação. Groot, acaba ficando de fora disso em muitos roteiros e precisa constantemente do Rocket Raccoon. Sem o guaxinim na história (dá uma lidinha em Mãe Entropia para saber o porquê) Groot acaba tendo uma dinâmica diferente no grupo.

Guardiões da Galáxia é uma equipe de desajeitados, Groot e bastante desajeitado, é muito bom ver roteiro que abraça o personagem. Para que neste desajuste ele resolva situações. Transportando para a vida real, muitas vezes a solução vem de pessoas que menos esperamos. Na maioria dos casos, essas pessoas somos nós mesmos.

Quer dar um tempo da vida real tão conturbada desses últimos anos? Aconselho se deixar divertir com Guardiões da Galáxia: Mãe Entropia.

Tico Pedrosa é publicitário, roteirista, escritor, professor e criador de conteúdo. Fã de quadrinho desde sempre. Você pode conferir as ideias dele no instagram e twitter.

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