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O que é isso companheiro hardcore

27.09.09

por Mariana Marques

O grupo Baader Meinhof

(Der Baader Meinhof Komplex, Alemanha/França/Rep. Checa, 2008)

Dir.: Uli Edel
Elenco: Martina Gedeck, Moritz Bleibtreu, Johanna Wokalek, Nadja Uhl, Jan Josef Liefers, Stipe Erceg

Princípio Ativo:
idealismo fashion alemão

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Guardadas as devidas proporções, “O grupo Baader Meinhof” é a versão alemã de “O que é isso, companheiro?”. Só que a história do grupo terrorista alemão é mais longa, com mais personagens e mais ação. Assim, temos um filme mais longo, com mais personagens e mais ação. A indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro é outro ponto em comum aos dois longas.

O filme é uma aula de história sobre o famoso grupo formado em 1970 e dissolvido em 1998 (tipo ontem, né?). A organização na verdade se chamava Facção Exército Vermelho (em alemão, Rote Armee Fraktion ou RAF), mas foi apelidada pela imprensa de Baader Meinhof – sobrenomes do revolucionário Andreas Baader (Moritz Bleibtreu) e da jornalista Ulrike Meinhof (Martina Gedeck), os participantes mais notáveis.

O grupo condenava o capitalismo que se desenvolvia na República Federal da Alemanha e acusava o governo de dar continuidade ao Estado nazista. Era uma organização de guerrilha urbana, de extrema esquerda, e é claro que eles tacaram fogo em prédios, sequestraram, assassinaram, foram presos, fugiram da prisão, voltaram pra cadeia, foram à julgamento, e blá blá blá (deixemos de surpresa pra quem não sabe como terminou a história).

O curioso é que muitos simpatizavam pelos ideais da RAF e iam aos julgamentos aplaudir os revolucionários. Os atores alemães interpretam tão bem jovens idealistas, repletos de ambiguidade, que se tornam carismáticos. Uma amiga alemã me contou que até hoje tem uma galerinha lá que é admiradora do grupo. O assunto é bem polêmico e rendeu bastante em 1994, quando Irmgard Möller, remanescente do grupo, foi libertada por razões médicas.

As cenas de ação fazem jus ao topo da categoria de “filme mais caro de todos os tempos da Alemanha.” Quem procura análises mais profundas sobre a forma de agir do grupo ou uma contextualização do momento histórico vai se decepcionar. “O Grupo Baader Meinhof” é um filme sobre os bastidores de um grupo terrorista, sobre como se relacionavam, como decidiam suas ações, como ficavam perturbados quando mal-sucedidos.

E é bom que o filme não seja assim tão analítico. As discussões - sejam sobre questões sérias e políticas, sejam sobre coisas fúteis – ficam pro quiche com café depois do cinema.

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