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Tão perto, tão longe

01.08.05

por Rodrigo Ortega

Vellocet - Vellocet

(Slag Records, 2005)

Top 3: “Some kind of way", "1967 on my mind", "Fool’s gold song to the emperor”

Princípio Ativo:
Leite da Moloko

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O Vellocet está mais longe do que parece. O primeiro disco completo, homônimo, da banda belorizontina foi lançado pelo selo independente paulistano Slag Records. Em 1999 a banda se destacou entre os indie-roqueiros locais e nacionais com o EP Demonstration Tape n.1, também lançado pela Slag. Emerson Teixeira (vocal e guitarra), Bruno Retes (baixo) Fabrício Coqueiro (bateria) e Ítalo Teixeira (teclado) costumam tocar a alguns metros da minha casa. Aparecem no noticiário local e já conversaram de boa com o Pílula Pop, mas na verdade não estão por aqui.

O nome da banda é inspirado na inusitada leiteria Moloko Vellocet, do filme "Laranja Mecânica". As viagens são menos ultraviolentas do que as do filme, mas não menos psicodélicas. Os efeitos de “Highway to a dream”, faixa instrumental de abertura, levam para planetas distantes. A letra da balada “Dreamsight” dá o caminho para outras realidades: “A sudden glimpse of light / reflects around a dreamsight”. Uma das faixas mais bacanas é ‘Some kind of way”. A leve sensação de flutuar é ressaltada pelo vocal de Marina Gomes.

O Vellocet também está distante no tempo. “1967 on my mind” é música com nome que mais chama atenção. Os efeitos que deixam a voz tremida são iguais a “In another land”, do disco Their Satanic Majesties Request, dos Rolling Stones, de 1967, o que não deve ser coincidência. “Harder than reef” é cheia de teclados retrôs e divertidos. “Only Gift” tem barulhinhos e uma dinâmica lenta que também remetem a épocas de mais paz e amor.

Mesmo quando está na Terra, a banda pousa em outras paisagens. As letras em inglês e os riffs de guitarra parecem menos locais do que da terras da rainha. “Fool’s gold song to the emperor”, a música mais bacana do disco, lembra bastante o Teenage Fanclub. O que também não deve ser coincidência. Em 2004 eles abriram uma das apresentações da turnê dos escoceses no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. O refrão é muito Teenage: “You must believe that / love cures everything”.

“BH Purple Lights”, faixa instrumental, me lembra de onde a tal nave do Vellocet saiu. A banda teve que viajar por planetas estranhos, outras épocas e países distantes para estar perto de novo. Não porque tem uma música com o nome da minha cidade no título, mas porque faz querer me aproximar dos seus acordes bonitos.

Eles tocam aqui perto, mas fazem um caminho gigante para voltar

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