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Amor repaginado

31.12.05

por Braulio Lorentz

T.A.T.U. – Dangerous and Moving

(Universal, 2005)

Top 3: “Gomenasai”, “Loves me not” e “Cosmos (Outer Space)”.

Princípio Ativo:
Uma mentirinha bem contada

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A Ana Carolina é bi. O São Paulo é tri. E o Serguei é pansexual. Ele inclusive afirma que já levou uma árvore para trás da moita. Isso sem contar o caso com Janis Joplin. Enfim, não importa se as relações sejam com pessoas do sexo oposto, pessoas do mesmo sexo, vegetais ou Janis Joplins. Falar da vida particular faz vender muitos discos.

O melhor exemplo disso vem da Rússia e é resumido pela sigla T.A.T.U., que significa “uma garota gosta de outra garota”. O T.A.T.U. é formado por um suposto casal de adolescentes homossexuais. O relacionamento das russas é a parte mais importante do produto. Uniforme de colegial, beijos na chuva, juras de amor: tudo estava no clipe mais badalado das mocinhas. Ajudado pela deliciosa “All the things she said”, o disco de estréia (200 km in the Wrong Lane, de 2002) vendeu cinco milhões de cópias.

Escancarar intimidades realmente pode trazer muito dinheiro. Mas os méritos não são das russinhas Lena Katina e Julia Volkova. O psicólogo e empresário Ivan Shapovalov selecionou as duas meninas entre 500 candidatas. Ou seja, ele é mentor desta empreitada cheia de zumbidos, carícias e tiozões.

No disco de estréia, Morrissey liberou o assassinato da música “How soon is now”, gravada originalmente por sua banda The Smiths. Os tiozões da vez que acompanham a duplinha são Sting e Richard Carpenter, conhecidos por bandas de que os pais das fãs de T.A.T.U. eram fãs. Sting tocava no The Police e Carpenter no The Carpenters.

A bonitinha “Gomenasai”, com participação do Sr. Carpenter, parece uma boa balada das Spice Girls. “Friend or Foe”, com Sting, é o outro lado da moeda: um tecnopop sabor chiclete com duelo de um milhão de vozes. Outro tio que volta a trabalhar com as meninas é Trevor Horn (The Buggles, Belle and Sebastian, Seal). Ele assina de novo a produção.

“Cosmos (Outer Space)” é a melhor coisa que o T.A.T.U. já fez. A pegada guitarreira se une às imagens cuspidas pelas meninas: “Estrelas que não queremos alcançar/ Cicatrizes que não vamos curar/ Vamos aonde nunca fomos/ Sair fora/ Máquina do tempo”. An?

Mas o tema “eu te amo e sempre estaremos juntas” não fica de fora e aparece em momentos não tão inspirados como “It’s all about us” e “Loves me not”, que até parecem sobras do disco anterior.

O T.A.T.U. se apóia no marketing, no apelo ao lesbianismo e no ombro de tios que já foram do primeiro time e agora topam tudo por uns trocados. Deixando todo o blablablá de lado, o que resta é um monte de canções sem a mesma “jovempanização” de outrora. Um monte de boas canções.

Amar é... Passar batom uma na outra!

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