Busca

Cadastro



enviar

“As coisas, todas as coisas”

09.07.06

por Braulio Lorentz

Érika Machado – No cimento

(Indie, 2006)

Top 3: “As coisas”, “Robertinha” e “No cimento”.

Princpio Ativo:
Secador, amor e dinossauros

receite essa matéria para um amigo

Ouvir os 34 minutos e 37 segundos do disco de estréia de Érika Machado é uma coisa que pode fazer com que você veja certas coisas da vida de outra forma. Você poderá não ser mais o mesmo após ouvir as treze faixas do debut da cantora mineira, produzido por John Ulhoa, do Pato Fu:

Quando ver cimento fresco não passe direto, pegue um pedaço de madeira e escreva seu nome

“Escrevi meu nome no cimento para alguém lembrar de mim”, canta Érika. Ouvir a faixa-título de coração e ouvidos abertos é conviver com a certeza de que cada olhada para cimentos frescos terá a mesma trilha-sonora por muito tempo. Ainda bem que é uma bela trilha. “No cimento” é uma balada radiofônica que mais parece um refrão que começa no início da música e termina no final.

Entenda que “Secador, Maçã e Lente” e “Girafa, Amor e Avião” são palavras que juntas têm muito sentido

A primeira música de trabalho é “Secador, Maçã e Lente”, conhecida na capital mineira através da interpretação da prima de Érika, Marina Machado. A faixa conta a história de um sujeito que come metades de maçãs e tem cabelos e lentes que não são à prova d'água. “As coisas” é outra em que Érika faz uso da mesma artimanha de enfileirar palavras que cativam por terem tudo e nada a ver. A seqüência mais fofa do álbum necessita de contextualização: “Há coisas que são bem grandes / Mas cabem nesta canção / Consigo pôr numa frase / Girafa, amor e avião”. A faixa-bônus de “As coisas” (mixada pelo trio carioca Bossacucanova) ganha batidas e coral de crianças empolgadas. Ao final, uma delas pergunta: “Podemos ouvir?”. Coisa linda...

Saiba que boas canções pop podem ter entre 40 segundos e quase cinco minutos

Apenas duas canções do CD possuem mais de três minutos, “Secador, Maçã e Lente” e “Óculos de grau”. Por outro lado, “Canção do coração” é a que dá o recado mais rápido: “Quis fazer uma canção / Pra falar do coração / Que bate / Que bate / Que bate e tá bão / Que bate / Que bate / Que bate e tá bão”.

E, por último, se ficou com alguma dúvida, pergunte aos dinossauros

Em “Felicidade” Érika termina cantando: “Ah não / Perguntei aos dinossauros...” Em seguida, ela esquece os animais extintos e canta sobre um animal que está longe da extinção, as patricinhas. “Robertinha” é sobre uma mocinha que “está nervosa porque ela não tem aquela calça rosa”. A canção é a mais pop roqueira. Ela e “Tédio” poderiam se passar por canções moderninhas para tocarem em rádios jovens ou adultas, sem precisar usar óculos escuros ou outro disfarce.

No meio do caminho tinha uma Érika / Tinha uma Érika no meio do caminho

leia/escreva comentários (4)