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Notícia boa

18.08.06

por Luciana Dias

Jenny Lewis with the Watson Twins – Rabbit Fur Coat

(Trama, 2006)

Top 3: “Rise Up With Fists!!”, “Happy”, “It Wasn't Me”.

Princípio Ativo:
Contenção

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Se alguém comprar este disco esperando escutar a Jenny Lewis da banda Rilo Kiley, aquela Jenny exposta, nervosa e vulnerável, mas ao mesmo tempo forte e perigosa, vai se decepcionar por certo. Se antes ela cantava “Baby you're bad news/ I don't care, I like you”, agora as coisas não são mais assim. Para cada ação existe uma conseqüência, e se você dorme com alguém que não te entende, na manhã seguinte você vai se odiar.

Se a Jenny do Rilo Kiley bebe muito, fala alto e se envolve em todas as confusões e relacionamentos disfuncionais que aparecem pela frente, a Jenny solo renuncia a força, procura por Deus e canta para o Diabo ir embora. Enfim, agora pode ser levada para casa e apresentada para a mamãe.

Não que ela de repente tenha se transformado em um poço de doçura e moral, mas ela está definitivamente mais contida. As canções country/folk/pop são cantadas sem afetação, acompanhadas por instrumentos que se dão espaço, nada auto-indulgente, tudo muito delicado. A voz às vezes é um sussurro. Canções são executadas com leveza e as faixas que Jenny canta com as Watson Twins também são agradáveis.

O maior problema de algumas músicas deste disco é uma coisa que passa batido à primeira audição, mas depois de um tempinho qualquer um pode notar: as letras. Às vezes parece que Jenny quer ser pungente e sincera, e acaba por confundir sinceridade com realismo, como na valsinha chata que dá nome ao disco.

Comentei isso com um amigo, que me disse que ela está sendo irônica nos momentos que eu acho fracos, e eu que sou muito estúpida não percebi. Tá. “If I run uphill i'm out of breath / If I spend all my money I've got no money left / If I place all my chips on only one bet / I'm all in”? Quantos insights em tão poucos versos!

Se falta sutileza nas letras, não falta na voz. Quando as letras não são óbvias/bobas, Jenny entrega de um jeito tão bonito, sem muita ginástica, mas sem deixar de ser rica em nuances, como na balada acústica “Happy”.

Como este foi o debut da Jenny solo (tá, tem as Watson Twins também, eu sei), penso que um próximo disco nessa linha pode sair bem bom. Ela vai estar mais à vontade, as canções mais coesas e quem sabe, a performance não tão minimalista e econômica. Eu quero um pouco mais de abuso. Porque assim que a vida é: pura irregularidade.

A Jenny boa-moça trocou as bebidas alcoólicas pelas lácteas

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