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Um clichê pra chamar de meu

25.08.06

por Mariana Marques

Elsa e Fred – Um amor de paixão

(Elsa y Fred, Argentina/Espanha, 2005)

Dir.: Marcos Carnevale
Elenco: Manuel Alexandre, China Zorrilla, Bianca Portillo, Roberto Carnaghi

Princípio Ativo:
água + açúcar + clichê

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Em um certo momento de Elsa e Fred, não resisti e me comportei como Amelie Poulain: resolvi espiar a reação das pessoas no cinema. Fiz isso porque estava muito curiosa em saber se todos ali estariam com a mesma sensação de leveza que eu. Era impossível parar de sorrir. E ao olhar para aquelas pessoas e ver sorrisos e lágrimas, não tive dúvidas de que todos também estavam se divertindo.

A história do filme é do tipo simples, desenvolvida com delicadeza. E é claro que tem dedo de argentino aí. Marcos Carnevale, diretor e roteirista, é mais um representante do cinema argentino que conta aquela história doce, concentrada nos sentimentos dos protagonistas. Daquelas que você nem acredita que pode resultar em um filme tão comovente, porque é simples mesmo: Fred, que tem quase 80 anos, está doente e não tem ânimo para viver. Recusa passeios com os amigos e sua única companhia é o cachorro Napoleão. Sua filha é amarga e o genro quer seu dinheiro. Quando se muda para um novo apartamento, conhece a vizinha Elsa, que transforma sua vida. E o que Marcos Carnevale filma é exatamente o encontro dos dois e como eles vão se interessando um pelo outro. É aquele clichê mesmo de mostrar que nunca é tarde para se apaixonar.

E é um clichê delicioso, graças principalmente à atuação do casal protagonista. China Zorrilla faz você se encantar já na primeira cena em que Elsa aparece e demonstra como é uma péssima motorista. Elsa é engraçada e irônica. E é bonito ver sua luta para conquistar Fred, já que ela é quem se interessa primeiro. Bonito também é ver como ela consegue mudá-lo. “Você é um livro de auto-ajuda”, diz Fred a Elsa em determinado momento. Livros de auto-ajuda são chatos e cheios de clichês. Elsa é cheia do clichê vamos-aproveitar-o-tempo-que-nos-resta, mas não consegue ser chata. E como uma velhinha fã de A Doce Vida, de Federico Fellini, poderia ser chata?

“Elsa & Fred” já valeria o ingresso que não paguei apenas pela cena impagável do restaurante (e aqui fica um trocadilho para quem viu o filme). Vale dizer que até o subtítulo em português, antes visto por mim como cafoninha, pareceu fofo ao final da projeção. E ainda que o filme possa parecer um novelão em certos momentos, como a mudança repentina do comportamento da filha de Fred, eu acredito que todos se apaixonarão pelo casal de velhinhos. E sairão do cinema com aquela sensação clichê de leveza, de que a vida é doce e que temos mesmo que aproveitá-la.

E como não se apaixonar por eles?

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