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A chaleira

18.03.07

por Rodrigo Ortega

Kings of Leon - Because of the Times

(RCA, 2007)

Top 3: “On Call”, “Fans”, “Arizona”.

Princípio Ativo:
Drinques

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Até um mês atrás, o primeiro resultado que me vinha à cabeça quando tentava achar algo no Ortegoogle sobre “Kings of Leon” era o comentário do site da MTV sobre o Tim Festival de 2005: “o vocalista parecia tenso, enjoado, preocupado com uma chaleira que esqueceu no fogo”. Mas os dois primeiros álbuns eram bons o suficiente para desfazer minha má impressão do Tim. Agora ela se foi de vez. Because of the Times, novo disco do quarteto do Tennessee, é a própria chaleira no fogo, apitando, prestes a explodir.

Segundo o vocalista Caleb Followill, este foi o primeiro CD em que a banda estava toda bêbada quando gravou. Drinques de abacaxi e vinho embalaram as sessões de estúdio. Mas os Kings of Leon não são daqueles tipos de bêbados chatos, que insistem nas piadas ou amam todo mundo. São bêbados que querem conhecer lugares e se divertir. Isso deve ser um dos motivos para este álbum surpreendente.

Na primeira vez que você ouve “Charmer", acha que o guitarrista Cameron quer tocar no Queens of the Stone Age. Na segunda vez, você percebe que é uma música excelente e balança a cabeça. Aí os movimentos fazem a ficha cair no seu cérebro e você descobre que “Charmer” é quase igual às músicas do Nirvana da época de Bleach (1989). Os gritos psicóticos de Caleb Followill te dão vontade de dar um mosh no sofá de casa. E o mais legal é que só essa faixa lembra os primórdios do Nirvana. Cada música tem uma surpresa diferente.

A apoteótica “On Call”, primeiro single, é o tipo de canção que os fãs dos Pixies merecem no prometido disco novo. Kim Deal trocaria sua irmã gêmea por uma melodia boa como essa. Outras melodias apoteóticas são de “Mc Fearless” e “Black Thumbnail”, que têm o acréscimo de barulhos de guitarras infernais.

Cada faixa mexe com uma parte do corpo: o coração aperta com “True Love Way”, o traseiro mexe ao som de “My Party”, e as pernas dão chutinhos ao som do reggae “Ragoo”. Em “Fans”, homenagem aos seguidores da banda, dá pra sentir o bafo de álcool sair junto com voz rouca de Caleb. Com suas calças apertadas, ele consegue ser um roqueiro moderno sem perder o charme clássico, tipo um cara que conquista ao mesmo tempo meninas românticas assinantes de Capricho e notas altas no NME.

Os versos “Go, go, go!” em “Camaro” parecem de uma gangue com jaqueta de couro e topetes levantados. Na faixa seguinte “Arizona”, o riff triste lembra um grupo cabisbaixo de franjas no rosto. Mas por trás dos movimentos capilares imaginários, estão as mesmas caras cheias de bebida e vontade de fazer boas canções. Elas já foram elogiadas até por Bob Dylan, o que é uma boa informação para substituir aquela sobre o Tim lá no Ortegoogle.

Uou! Devia ser assim que eles se viam no espelho do estúdio

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