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A verde e rosa fala

07.04.07

por Mariana Souto

Cartola

(Brasil, 2007)

Dir.: Lírio Ferreira e Hilton Lacerda

Princípio Ativo:
preto e branco e verde e rosa

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Dentro do movimento nacional e internacional de exaltação de músicos através de biografias e documentários, chega aos cinemas “Cartola”. Se essa onda vem da falta de criatividade de cineastas para reinventar a ficção ou se os motivos são puramente nobres, o resultado é que o público recebe bons filmes e conhece melhor a vida de ícones da nossa música e, por conseqüência, da própria história do país.

O filme inicia com o enterro de Cartola, com a câmera perseguindo-o sem o encontrar. Durante boa parte da projeção, não o vemos. Só ouvimos seus colegas falarem até chegarmos a ele mesmo. O suspense também segura a canção “As rosas não falam”, seu maior sucesso, até o final. Através das imagens de arquivo e dos depoimentos de várias figuras importantes, Lírio Ferreira e Hilton Lacerda fazem do filme o retrato de uma geração do samba mais do que de uma personalidade específica.

Os diretores acrescentam partes ficcionais ao documentário, representando Cartola menino em passagens desnecessárias. Entretanto, demonstram seu apuro estético em planos como o da sombra do bondinho da Lapa nas casas do Rio de Janeiro. Usam também um interessante recurso ao mostrar o ostracismo do músico - Cartola foi descoberto lavando carros e mais tarde ressurgiu e gravou um disco de sucesso. É possível perceber que o filme exalta muito mais do que traça uma trajetória, passando bem rapidamente pelas partes de bebedeira, vício e dívidas.

Através do filme, conhecemos um pouco mais daquela época, do nascimento das escolas de samba, da Mangueira e das músicas, que duravam muito mais do que as de hoje. Ouvimos um pouco de Zé Kéti, Paulinho da Viola, Carlos Cachaça, Elza Soares e Beth Carvalho (apesar dos probleminhas de áudio). O longa aborda também a relação, muitas vezes distante, entre o samba do morro e a bossa nova da zona sul e fala de como Cartola virou moda em determinado momento. Dona Zica, esposa e figura tão relevante, aparece muitas vezes, em bonitos closes fechadíssimos, utilizados também com outras personalidades.

“Cartola” alterna histórias e anedotas filmadas atualmente com imagens de arquivo - sem deixar de colocar uma música a cada 3 minutos, mais ou menos. Provoca no público aquela sensação “Vinícius” de querer estar lá. Se participar daquela atmosfera, conhecer as pessoas e freqüentar o bar Zicartola não é possível, pelo menos a gente baixa uns mp3 em casa e cantarola “O Sol Nascerá”.

A gente contribui com o suspense e não bota o Cartola na foto. Se quiser, vá ver o filme :p

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