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8 ou 80

05.09.07

por igor Costoli

Licença para casar

(License to wed, EUA, 2007)

Dir.: Ken Kwapis
Elenco: Robin Williams, Mandy Moore, John Krasinski, Eric Christian Olsen

Princípio Ativo:
com rótulo, sem pedigree

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Uma famosa forma de elogiar indiretamente um filme é dizer que ele pede por pipoca, cobertor e companhia. Resumindo: filme sessão da tarde. Aqueles filmes leves, pretensamente despretensiosos, carregados no açúcar e no humor, gostam e até buscam esse tipo de elogio, sem medo do rótulo.

Rótulos. Item de necessidade do crítico e desprezo do artista. Para o crítico, o rótulo é uma forma de se fazer entender, de apresentar o artista a quem não faz idéia de quem ele seja ou do que faz.

“Licença para Casar” chega a ter orgulho de se enquadrar no rótulo: “comédia romântica”. É comum encontrar algo digno de uma boa menção mesmo em filme ruim. Entretanto, ainda que John Krasinski ou alguma piada estejam acima do resto...

Para o artista, o rótulo é como uma algema, uma limitação. É como se pegassem a sua obra e, de cara, lhe dissessem tudo que ela pode ser e aquilo que nunca será.

...o filme do diretor Ken Kwapis muda um pouco a roupa, mas não passa de um mais do mesmo do gênero. O que é muito pouco para longos noventa minutos de projeção.

Alguns artistas fogem a vida inteira dos rótulos.

Krasinski desperdiça o carisma e competência que apresentava na série “The Office” para fazer cara de Mark Ruffalo, enquanto sofre feito Ben Stiller. Ele é o namorado que vira noivo, que quer casar, mas faz tudo errado e depois vai ter que dar uma prova de amor pra reconquistar sua amada.

Mas tem aqueles que não se importam em fazer um trabalho que se encaixe em uma categoria bem definida. E aí, bem, não há lugar-comum que não puxe a cadeira e se acomode.

Tudo porque Robin Williams faz o papel do Robert De Niro, digo, do reverendo que dá aconselhamento a casais, mas que na verdade só está ali pra desencadear uma série de situações desagradáveis entre o casal.

E outros nunca escapam dos rótulos que ganham logo no início da carreira.

Casal que fica completo com a bela Mandy Moore, ótima no papel de mocinha bonita que mesmo depois de se decepcionar aceita seu amado de volta para aquele “felizes para sempre” do final.

Os críticos tentam evitar os rótulos porque, afinal, não deixam de ser um...lugar-comum.

Existe uma lógica (masculina, claro) que diz que o problema de algumas comédias românticas é exatamente a parte romântica. É o clichê do homem para dizer que se divertiu assistindo ao filme. Entretanto, esse não é o caso aqui. Por não saber dosar a quantidade de açúcar, este “Licença” se enquadra também, sem-vergonhamente, na categoria “filme de mulherzinha”. E pra que não fiquem dúvidas: sim, este é um rótulo bastante pejorativo.

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Williams: o futuro de Krasinski, se ele não começar a ler o roteiro de seus filmes.

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