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Billy & Eu

23.12.08

por Mariana Marques

Marley & Eu

(Marley & Me, EUA, 2008)

Dir.: David Frankel
Elenco: Owen Wilson, Jennifer Aniston, Alan Arkin, Eric Dane, Kathleen Turner

Princípio Ativo:
o pior melhor amigo do homem

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O Billy, um greyhound italiano tímido, entrou pra família quando eu tinha dez anos e morava numa pequena cidade do interior de Minas. Fomos para BH, ele foi junto. Fomos para o Rio, ele também. E foi lá que ele morreu tragicamente. Eu tinha vinte anos. Billy me viu crescer, começar a namorar, terminar a escola, passar no vestibular. Foram dez anos de convivência e ainda sinto muito sua falta.

Marley, um labrador insolente, entrou na vida de John Grogan e sua esposa Jenny quando ele decidiu presenteá-la com um cãozinho, na tentativa de adiar seus planos de ter um bebê. O cão presencia os conflitos dos primeiros anos de casados dos dois, as angústias profissionais – ambos são jornalistas – e a chegada do primeiro filho.

É essencial falar da existência do Billy para explicar a razão pela qual “Marley & Eu” me agradou. Não fosse pela empatia que tenho por cães e histórias que envolvem o melhor amigo do homem, não teria muitos argumentos para defender o longa. É que tudo foi feito certinho demais para a Sessão da tarde. O roteiro é baseado no best seller de John Grogan, que decidiu contar seu cotidiano com quem ele chamava de “o pior cão do mundo”. No filme, entendemos como o jornalista chegou à idéia do livro e o conflito na sua transformação de repórter para colunista.

Owen Wilson interpreta um John simpático e Jennifer 40 anos com corpo de 20 Aniston só não faz uma Jenny mais carismática porque ainda possui muitos trejeitos da Rachel de Friends. De qualquer maneira, os dois formam um casal convincente. Mas a produção peca ao tentar fazê-los parecerem joviais e felizes demais: os anos passam, eles têm filhos, Marley fica um cãozinho decrépito e o casal continua em plena forma, conservando até mesmo os cortes de cabelo.

O bonitão Sebastian (Eric Dane, o McSteamy de Grey’s Anatomy), amigo de John, funciona apenas como o contrastate clichê, mostrando como os solteiros têm mais liberdade para tomar certas decisões profissionais, como mudar para outra cidade e aceitar trabalhos que demandem muitas viagens. Já o chefe de Jonh (Alan Arkin) rouba a cena como o editor frio, que lê as matérias do empregado sem mover um músculo da face para, em seguida, dizer “isto é hilário”.

“Marley & eu”, dirigido por David Frankel (O Diabo veste Prada), é cheio de diálogos previsíveis e até mesmo a trilha sonora é manjada. Ainda assim, o tema me encanta por ser sobre a capacidade de amar Marleys, Billys e outros Totós. Sei que muitos não vão ter a empatia que tive, o que é compreensível. É como diz o ditado que eu acabei de inventar “Quem nunca teve um cão, nunca teve um cão”.

Mais pílulas:
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Senhoras e senhores, o astro. Fofo.

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