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À procura da nova Pixar

15.03.09

por Igor Costoli

Dia dos Namorados macabro 3D

(My Bloody Valentine, EUA, 2009)

Dir.: Patrick Lussier
Elenco: Jensen Ackles, Jaime King, Kerr Smith, Tom Atkins, Marc Macaulay, Betsy Rue

Princípio Ativo:
3D

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Todo trailer ruim é um convite a não ver o filme e a razão é óbvia: se não é possível montar uma boa seqüência da história em uma curta duração, o quão difícil não será encontrá-la na projeção completa? Já um cartaz ruim pode ser considerado apenas uma peça gráfica feia. “Dia dos Namorados macabro”, exibido em 3D, veio mudar isso. Por duas razões.

1 – Qual a história, afinal?

Seu cartaz pode ser facilmente confundido como propaganda de sala de exibição 3D. E isso é péssimo. Apesar de ser uma decisão comercial, uma aposta na segmentação do público, mais uma vez a tecnologia toma o papel principal, quando na verdade deveria estar em segundo plano.

O espectador é convidado apenas a ver caixas torácicas abertas, globos oculares e mandíbulas arrancados, tudo isso na profusão de ações deslocadas da tela em direção às cadeiras da sala. E, mesmo sendo uma aposta para o futuro do cinema, nem mesmo quando o efeito funciona com qualidade ele contribui ou acrescenta positivamente à narrativa. O grande salto dado pela tridimensionalidade na animação aconteceu quando a técnica passou a ser apenas o acessório para histórias bem contadas. Tudo indica que, no live action, o 3D ainda permanecerá restrito a macaquices visuais por algum tempo.

2 – Jura que tem uma história?

Bem, sim. E isso não é bom. Nesta confusa adaptação (ora vejam, uma refilmagem de terror), um dia dos namorados comemorado por adolescentes em uma mina de escavação (?) vira massacre serial, promovido por um mineiro e sua picareta.

Dez anos após o massacre, o sobrevivente Tom Hanniger (Ackles, péssimo) está de volta à cidade para vender as minas que eram de seu pai e que tanta dor lhe causaram nesses anos pós-trauma. De lá pra cá, sua ex-namorada (King) casou-se com o atual xerife (Smith), que não lhe guarda boas recordações. O cenário está montado para que, quando as mortes em série voltem a acontecer, o xerife possa suspeitar do retorno de Hanniger à cidade e o culpar.

Se tivesse optado por se tornar uma comédia voluntária, talvez agradasse mais. Insistindo em se levar a sério o tempo inteiro, “Dia dos Namorados macabro” abre mão da boa-fé do espectador para com seus erros. De modo que as atuações rasas, o risível de certas seqüências de tensão, a ineficiência do filme como narrativa, tudo conspira para o fracasso do longa. Teria ganhado mais se aproveitasse a censura 18 anos e abusasse da nudez gratuita, como o fez por (quase) cinco minutos.

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Terror congelado. Pronto para microondas.

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