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Billi Pig

por

1 de março de 2012

Cinema, Receituário

Billi Pig

Brasil, 2012

  • Dir: José Eduardo Belmonte
  • Elenco: Selton Mello, Grazi Massafera, Milton Golçalves, Milhem Cortaz, Preta Gil, Otávio Muller, Tadeu Mello

Avaliação: ★☆☆☆☆ 

“Billi Pig” lembra os piores momentos dos filmes da Xuxa e dos Trapalhões. A comédia segue um casal fracassado: Marivalda (Massafera) quer ser uma atriz famosa, enquanto seu marido Wanderley (Mello) quer subir na vida montando uma companhia de seguros. É uma vida tediosa até que Billi (o porco de brinquedo e espécie de amuleto de Marivalda) começa a falar com a garota, enquanto o coma da filha de um chefão do tráfico aparece como a chance de resolver os problemas de Wanderley caso um suposto padre (Gonçalves) consiga fazer um milagre.

A abordagem fantástica da história em si não é um problema, o que falta é roteiro mesmo. Não é possível entender os objetivos dos personagens, seja Billi ou Marivalda ou Wanderley (isso sem contar nas participações mais do que dispensáveis de Preta Gil e Milhem Cortaz).

A tentativa de se fazer uma chanchada moderna cai por terra graças à total ausência de coerência narrativa interna, em uma colcha de retalhos de situações e personagens que não possuem nenhuma função narrativa: incluindo ai o porco-título. Com ares de auto-ajuda no estilo “é preciso fazer qualquer coisa para subir na vida”, o filme comete ainda o maior pecado de todos em se tratando de uma comédia: não é engraçado.

Porco amigo
Porco amigo

As infinitas histórias paralelas prejudicam a trama central, gastando tempo demais com personagens desinteressantes e sem sentido. Os efeitos especiais de novela das 7 também não ajudam em nada e só servem para deixar tudo ainda mais constrangedor. Se há um ponto positivo é o elenco. Faz sentido a escolha de Grazi Massafera como a pretendente a atriz, brincando com sua própria persona e entregando uma atuação divertida e natural. Mas o show é mesmo de Selton Mello e Milton Gonçalves, que em várias cenas com cara de improviso conseguem tirar algum sorriso dos espectadores.

Mas é muito pouco. A insegurança do diretor José Eduardo Belmonte em um gênero com o qual ele não está acostumado é tamanha que chega a mostrar uma cena com uma cutucada ao “cinema de arte”, focado na realidade. Não precisava. Bastava fazer um bom filme de realismo fantástico e a justificativa se dava por si só.

“Billi Pig” vai se avolumando em problemas até chegar ao máximo com um desnecessário show no final da história. Mas pensando bem, o filme todo é desnecessário.

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