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Homem de Ferro 3

por

22 de abril de 2013

Cinema, Receituário

Iron Man 3

EUA, 2013

  • Dir: Shane Black
  • Elenco: Robert Downey Jr., Guy Pearce, Gwyneth Paltrow, Ben Kingsley, Rebecca Hall, Don Cheadle, Jon Favreau

Avaliação: ★★☆☆☆ 

“Homem de Ferro 3” não é um filme de super-herói. É uma comédia de ação dos anos 80. E não é das melhores.

Saiu Jon Favreau e entrou Shane Black, roteirista de “Máquina Mortífera”.  Os novos ares que poderiam ser bem-vindos acabaram sendo um tiro no pé da Marvel: a mais recente aventura do ferroso não funciona nem como adaptação de quadrinhos e nem como produto original. Agora Tony Stark precisa conviver com o trauma do ataque alienígena a Nova York visto em “Os Vingadores” ao mesmo tempo em que lida com a ameaça terrorista do Mandarim e o provável perigo da tecnologia Extremis. Parece muita coisa acontecendo e é mesmo. Parece sombrio, mas não é.

“Homem de Ferro 3” se perde em tantas subtramas e arcos dramáticos, assumindo um caráter episódico que só piora a premissa já fraca. Se a Marvel inovou ao criar no cinema um Universo interligado como nos quadrinhos, agora conseguiu fazer algo parecido com aquelas sagas em que cada revista é feita por um autor diferente e quando juntam tudo em uma coletânea a história parece uma colcha de retalhos sem sentido.

Pois o filme começa com um flashback em forma de paródia para então apostar em infinitas DRs que tomam toda a projeção enquanto não se decide o que quer ser. Na maioria das vezes, lembra “Um Tira da Pesada”, mas toda a sequência do Tennessee parece um episódio mal ajambrado de “Arquivo X”, e a parte final de Tony ao lado de James Rhodes é pura “Máquina Mortífera”.

Riggs e Murtaugh...
Riggs e Murtaugh...

E dá-lhe criancinha fofinha engraçadinha, vilões bizarros, um Patriota de Ferro risível e muitos equívocos. O maior deles talvez esteja no tom exagerado de comédia. “Os Vingadores” fez sucesso atingindo um ótimo equilíbrio entre o cartunesco e a reverência e, para superar isso, “Homem de Ferro 3” vai fundo no pastiche e acaba implodindo o gênero super-herói e transformando Tony em um herói de ação genérico, mistura de MacGyver com Magnum.

O personagem principal, aliás, apresenta habilidades físicas que não foram apresentadas nas produções anteriores, enquanto os vilões possuem motivações sem muito sentido. Há ainda escolhas que podem desagradar bastante aos fãs (especialmente envolvendo o Mandarim) e pouca ação. Não há como negar que é um filme corajoso, sem medo de tomar uma outra direção na franquia. Mas tantas escolhas erradas têm seu preço.

Os ataques de pânico são mal construídos e nunca convencem, há mais Tony do que Homem de Ferro, movimentos de câmera de mal gosto e o 3D não faz diferença. Mas nem tudo é um desastre. A cena pós-crédito é engraçada (apesar de poder decepcionar quem espera alguma grande surpresa), as referências a “Os Vingadores” são divertidas, Downey Jr. continua carismático, muitas piadas funcionam e o exército de armaduras consegue fazer arrepiar.

Mas é pouco para um filme que tenta ser algo mais ao discutir a identidade fragmentada de um homem de que se divide em dois. A ideia do duplo perpassa “Homem de Ferro 3”, com Tony sempre tendo alguma forma de parceria: Hogan, o garoto, Pepper, Rhodes, armaduras. Esta incompletude de alguém que não suporta a si mesmo e precisa sempre de alguma forma de parceiro (mesmo que tenha que literalmente construí-lo) é o que há de mais interessante no filme. Pena que Shane Black deixe isso em segundo plano, preferindo o máximo de piadinhas disparadas por segundo e que cansam mais rápido do que Stark consegue agora vestir sua armadura. Torçamos para que o restante da “fase 2” da Marvel não siga pelo mesmo caminho…

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