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Entrevista: Antonio Fagundes

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29 de janeiro de 2014

Cinema, Ressonância

“Casa cheia hoje!”, dispara Antonio Fagundes ao passar pelo grupo de jornalistas que aguardava o elenco de “Quando Eu Era Vivo” em São Paulo. “Entrevista de cinema é muito mais cheia do que de teatro. Ninguém liga pra teatro…”. A alfinetada não é por acaso. Atualmente no palco com a peça “Tribos”, o ator tem se dedicado muito mais ao teatro do que ao cinema. O último filme foi “A Mulher do Meu Amigo”, em 2008, mas ele ainda volta à tela grande neste ano com “Alemão”.

“O problema de cinema para mim é a minha agenda. Porque eu faço muito teatro. E teatro é uma coisa que prende muito você. Você tem que se adequar ao horário. Locação, por exemplo, não dá. Cinema exige que você fique às vezes um mês ali no set. Mas neste caso (do filme ‘Quando Eu Era Vivo’) deu certo porque a gente filmou em 18 dias. Mas por mim eu faria de quatro a cinco filmes por ano. Eu adoro”.

Antonio Fagundes é daquele tipo de ator que, apesar do rosto muito conhecido, consegue desaparecer em seus personagens. Mesmo que no início você só veja Fagundes ali, aos poucos vai sendo dominado pela atuação e acredita no personagem. No caso, Sênior, um viúvo que recebe em casa o retorno do filho recém-divorciado e precisa lidar com situações estranhas e misteriosas típicas de um filme de terror. Mas dessa vez ele teve o desafio de “desaparecer” de forma diferente, quase literal, em uma cena que envolve o uso de gesso sobre o corpo. “Eu tenho claustrofobia e sei como é ficar 20 minutos com canudinhos no nariz (risos). A produção foi muito compreensiva comigo. Mas tem um truque ali que a gente não vai contar. É uma experiência que não recomendo pra ninguém” (risos).

O ator já tinha lido o livro “A Arte de Produzir Efeito Sem Causa”, de Lourenço Mutarelli, antes do início da produção do filme, e daí veio seu interesse pela adaptação para o cinema com “Quando Eu Era Vivo”. “Quando li o livro fiquei pensando em como iam fazer isso, porque o livro é puramente psicológico. Ele se passa na cabeça do pai. Mas foi brilhante a transposição. Abriu para mais discussões”.

Fagundes faz charme. Masca chiclete, coloca os óculos escuros, tira os óculos. Faz cara de sério quando vai dizer alguma coisa engraçada, e sorri quando vai falar algo sério. “A gente usa o terror como metáfora para coisas que acontecem em nossa vida. Mas não vejo esse filme como um filme de terror. A gente fala que é terror porque ele usa muitos signos do terror: possessão, loucura, ambiente malévolo. E são muitas as citações de filmes de terror. Mas eu o imagino mais como um grande thriller psicológico. E qual é a grande questão?”.

Antonio Fagundes olha concentrado, com jeito de quem vai fazer uma grande revelação. “É a incomunicabilidade daquela família”. Faz uma pausa de suspense, respira fundo e finaliza: “E a comunicação é o gesso”, suspira em meio a uma explosão de risos ao seu redor.

 

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