Philomena

Nossa avaliação
Philomena (2013)
Philomena poster Direção: Stephen Frears
Elenco: Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark, Mare Winningham


“Philomena” é uma dramática história real com muito humor que se transveste de road movie para criar suspense na jornada de uma mãe em busca pelo seu filho. Tudo com ótimas interpretações, bom ritmo e um furo de roteiro ao final.

Quando jovem, Philomena Lee ficou grávida de um rapaz e, abandonada pela família em vergonha, foi ter o filho em um convento irlandês. Lá, ela não apenas sofreu desnecessariamente com o parto, como foi explorada no trabalho e, assim como outras garotas na mesma situação, teve o filho vendido para um casal (no caso norte-americano). Décadas mais tarde, já velha Philomena (Dench) vai ter a ajuda de um jornalista (Coogan) recém-saído de um escândalo do governo na busca pelo filho que nunca mais viu.

O diretor Stephen Frears entende bem o aspecto de reinvenção da trama: trata-se de uma segunda chance tanto para a mãe quanto para o homem que a ajuda. Ao colocar duas personalidades opostas uma ajudando à outra, o filme consegue momentos naturais de humor, ao mesmo tempo em que pode se entregar ao drama choroso que combina com a força de uma história tão impressionante.

É preciso ir para trás para alcançar o presente.

O cuidado com as metáforas da imagem se revela logo início com a maçã que cai da mão da jovem, já estabelecendo a culpa católica e o sentido de pecado que serão importantes durante toda a narrativa. A memória surge na textura dos filmes super 8 e do vhs que auxiliam na organização deste passado tão desfocado. Os personagens, apesar das cascas arquetípicas (a senhora fã de romances água com açúcar, o jornalista egoísta) respondem de forma crível aos acontecimentos ao seu redor, provocando um misto de melodrama com realismo que se torna irresistível.

Judi Dench está perfeita como a personagem-título, e Steve Coogan surpreende à altura: a química entre os dois carrega esta obra que esconde alguns tropeços do roteiro com um equilíbrio narrativo impressionante e o uso certeiro de alguns clichês. Se por um lado há a simplificação de uma situação complexa, somada a um suspense forçado que incomoda por ser inverossímil, por outro em nada isso afeta o sentimento de revolta que “Philomena” é capaz de provocar. E nem as lágrimas que com certeza virão.

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