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Rebeldes sem trama

15.07.09

por Daniel Oliveira

Harry Potter e o enigma do príncipe

(HP and the half-blood prince, EUA/UK, 2009)

Dir.: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Michael Gambon, Alan Rickman, Jim Broadbent, Helena Bonham-Carter, Tom Felton

Princípio Ativo:
hormônios

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Neste sexto capítulo, Harry Potter encara “o enigma do príncipe”. Um príncipe mestiço, como diz o título original, dono de um livro onde o protagonista aprende uma série de poções. Mas o fato é que não existe enigma.

E nem um príncipe, para falar a verdade. O macguffin, tradicionalmente usado por J. K. Rowling nos títulos de sua série, desta vez é um detalhe insignificante que, quando resolvido ao final, deixa o espectador com cara de: “Sério? É só isso?”.

A sensação é sintomática de todo o filme. “Harry Potter e o enigma do príncipe” é um dos melhores longas da série no quesito “relacionamentos e retrato infanto-juvenil” e um dos piores no quesito “trama, Voldemort e tudo mais”. Da mesma forma que “A ordem da Fênix” queria ser o que “O prisioneiro de Azkaban” é, sem o talento de Alfonso Cuarón na direção, o sexto capítulo é um “O cálice de fogo” wannabe, sem a emoção do torneio Tribruxo e o clímax do primeiro confronto com aquele-que-sei-lá-o-quê.

Não que o filme seja ruim. Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson estão mais confortáveis que nunca como Harry, Rony e Hermione. Há ainda a revelação de um ótimo ator em Tom Felton, que tem as cenas mais difíceis do longa como Draco Malfoy; Helena Bonham-Carter, cada vez melhor pior como a Comensal da Morte Bellatrix; e Jim Broadbent como o novo professor / ator-britânico-de-prestígio-fazendo-uma-graninha da vez.

A história é aquela mesma: um professor novo e misterioso, adolescência matando a pau, flertes, cervejas, metáforas lisérgicas blablablá. Os hormônios em ebulição geram as melhores cena do filme - e inclusive o carregam nas costas, com o amor de Hermione pelo obnóxio Rony cada vez mais encantador.

Só que preenchendo os espaços entre essas cenas está uma trama absolutamente chata em que Dumbledore apresenta memórias antigas a Harry, numa espécie de preparação para o confronto contra Voldemort. Auxiliado pela ótima trilha sonora, o diretor David Yates constrói uma ambientação sombria e urgente, mas que não chega em lugar nenhum. O final é anticlimático e a sequência da batalha final do livro foi cortada – provavelmente para abaixar a censura. Dá vontade de gritar: “quebra o pau de uma vez e mata logo esse Voldemort, porra!”.

Com a volta do roteirista Steven Kloves, ausente no quinto filme, e sua intimidade com o universo de Rowling, “Enigma” é indubitavelmente bem sucedido em tornar aqueles personagens tão queridos e palpáveis para os espectadores quanto para os leitores (ou quase). Mas muito pobre raquítico, em termos de trama e mitologia da série. No fim, fica a espera por mais dois longas pra pendenga se resolver, sinal de um filme bom, mas que não se sustenta sozinho.

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