Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Despedida em Las Vegas

21.08.09

por Daniel Oliveira

Se beber, não case

(The hangover, EUA/Alemanha, 2009)

Dir.: Todd Phillips
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Heather Graham, Sasha Barrese, Jeffrey Tambor, Ken Jeong

Princípio Ativo:
ressaca

receite essa matéria para um amigo

Zac Efron, James Van Der Beek e 95% do elenco de “Malhação” são homens de 30 anos que interpretam jovens de 15 que se comportam como uma mistura de crianças de 10 e velhos de 60. A diferença entre eles e o trio protagonista de “Se beber, não case” é que Bradley Cooper, Ed Helms e Zach Galifianakis são homens de 30 anos interpretando homens de 30 que se comportam como adolescentes de 15 (ou seja, com idade mental de 8).

Os três - respectivamente, Phil, Stu e Alan - levam Doug (Bartha) para uma despedida de solteiro em Las Vegas e, após uma noite da qual eles não se lembram absolutamente nada, perdem o amigo. Com um casamento à espera, eles têm cerca de 24 horas para descobrir o que aconteceu e encontrar o noivo a tempo da cerimônia.

A diferença entre “Se beber, não case” e os trocentos outros filmes com piadas escatológicas e o assim batizado “bromance” é que aqui as gags foram pensadas em função dos personagens e da trama – e não o contrário. Sim, as piadas são pesadas e, em alguns casos, ofensivas, mas elas existem para mostrar ao público quem são Phil, Stu e Alan e se encaixam perfeitamente no percurso que eles devem percorrer em busca de Doug.

E é a construção bem amarrada dessa trajetória surreal pelos roteiristas Jon Lucas e Scott Moore (dá pra acreditar que eles escreveram isso?), equiparando espectador e protagonistas (que descobrem juntos cada capítulo da “noite da perdição”), que torna o longa tão hilário e instigante. O mistério do paradeiro de Doug é algo que realmente preocupa o público – qualquer um que já tenha sofrido uma ressaca de vodka se solidariza com o trio. Isso, somado à estrutura de “entrevistas” com personagens que descrevem partes da bebedeira, fazem do longa do diretor Todd Phillips o “Cidadão Kane” do bromance.

Mas nada disso funcionaria se Helms não tivesse nascido para ser um loser, se Cooper não fosse o perfeito babaca e Galifianakis não fosse um gerador de risadas ininterruptas como Alan, o cunhado estranho e cheio de tiradas tão absurdas quanto inesperadas. É a química entre eles que ganha o publico, auxiliada por um roteiro realmente surpreendente a cada curva/capítulo surreal: “O bebê”, “O tigre”, “O japa”...

Só mais três coisas que você precisa saber sobre “Se beber, não case”: 1- ele é, sim, um longa sobre homens adolescentes, imaturos, escatológicos e retardados; 2- longe de ser subversivo, defende os valores da família, do amor e da amizade; e 3- 1 + 2 + uma apropriada trilha rappeira fizeram dele um fenômeno de bilheteria nos EUA. O que, somado à idéia de que até “Cidadão Kane” agora é adultescente, prova totalmente questionável a ideia de evolução – artística e humana.

Mais pílulas:
- Superbad - é hoje
- Eu te amo, cara
- Penetras bons de bico
- ou Navegue por todas as críticas do Pílula

Conhece a expressão...“viagem errada”? Taí.

» leia/escreva comentários (2)