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Sexo, amor, bombas e traição

15.06.05

por Daniel Oliveira

Sr. e Sra. Smith

(Mr. & Mrs. Smith, EUA, 2005)

Dir.: Doug Liman
Elenco: Brad Pitt, Angelina Jolie, Vince Vaughn, Regina King, Adam Brody

Princípio Ativo:
Mr. Pitt & Mrs. Jolie

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Cinco passos para melhorar o relacionamento, segundo “Sr. e Sra. Smith”:

1- Descubra os piores segredos do seu parceiro
2- Conte os seus piores segredos para ele
3- Tente matá-lo.
4- Destrua a casa em que vocês moram, inclusive a mobília. Se possível, exploda.
5- Comece tudo de novo.

Quer saber se dá certo? Bem, não é que seja lá uma Brastemp, mas o encontro de Brad Pitt e Angelina Jolie nas telonas (e segundo os tablóides, fora delas) não é nenhum “Contato de Risco”. A proposta de juntar dois clichês bem batidos – comédia romântica, em que os dois protagonistas se odeiam porque estão apaixonados, e thriller de ação com apetrechos a la James Bond – até que diverte sem precisar de piadas apelativas.

O roteiro conta a história do casal-título, que vive uma vidinha suburbana comum. Até que eles descobrem que escondiam um do outro que, na verdade, são assassinos profissionais. E pior: foram contratados para a mesma missão e são, portanto, rivais a serem eliminados. Pitt é John e Jolie é Jane Smith em um filme elegante e com timing cômico invejável.

É impossível negar que o filme só deslancha devido à química faiscante entre seus protagonistas. Os dois se entrosam tão bem que fica difícil não se envolver e se divertir com seus joguinhos de puxa-e-empurra (ou seduz-e-tenta-matar). É claro que o roteiro de Simon Kinberg e a direção de Doug Liman (A identidade Bourne) também ajudam, enfocando mais a discussão do relacionamento desencadeada pela descoberta do que a trama de ação mais que batida.

À medida que John e Jane conhecem mais a verdade sobre o outro, as cenas vão ficando mais engraçadas. Desde o início, quando John chega em casa com medo de que Jane tente envenená-lo, passando por um dos tangos mais originais e sensuais já dançado no cinema, até o hilário diálogo, digno de Billy Wilder, em que eles contam um ao outro quantas vítimas já assassinaram. O talento cômico meio caipira de Pitt encontra um contraponto perfeito na sensualidade com atitude de Jolie e os dois carregam o filme nas costas, com um elenco de coadjuvantes em que apenas Vince Vaughn (Com a bola toda) faz diferença.

A trilha sonora também merece destaque, marcando com exatidão cada momento da trama. É ela que ressalta a monotonia do casamento suburbano, logo em seguida denunciando a suspeita e a guerra entre os dois e terminando com sua explosão sexual. Assim como em “A identidade Bourne”, Doug Liman mostra com sua direção que, se não é um inovador no gênero, também não decepciona. As cenas de lutas e explosão não têm nada de novo, mas não são constrangedoras.

Apesar de alguns buracos no roteiro (o final repentino, por exemplo), “Sr. e Sra. Smith” se propõe como diversão descompromissada e cumpre o trato. Agora se você quiser saber se o longa funciona mesmo, pergunte a Jennifer Aniston.

"Angie, sinceramente eu não esperava essa reação da Jen"

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