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Cartas já não adiantam mais

10.09.10

por Renné França

Amor à distância

(Going the distance, EUA, 2010)

Dir.: Nanette Burstein
Elenco: Drew Barrymore, Justin Long, Christina Applegate, Charlie Day, Jason Sudeikis, Ron Livingston, Kelli Garner

Princípio Ativo:
Barrymore à distância

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Muito antes de “Amor à distância” chegar aos cinemas, a base da sua trama já tinha sido cantada por Roberto Carlos. E se o rei disse tudo em quatro minutos, a principal falha da nova comédia romântica de Drew Barrymore é exatamente se alongar além do necessário. A história do casal que acabou de se conhecer e decide manter um relacionamento à distância é uma produção com poucos momentos inspirados e toneladas de referências ao cinema, à música e à TV.

Tanto tempo longe de você / Quero ao menos lhe falar / A distância não vai impedir / Meu amor de lhe encontrar...

Erin (Barrymore) conhece Garret (Long) em Nova Iorque, durante um estágio de verão. Seis semanas depois, ela precisa voltar para os estudos em São Francisco, enquanto o namorado permanece do outro lado do país. A partir daí, o filme da diretora Nanette Burstein aposta em uma série de esquetes cômicos envolvendo as dificuldades de uma relação à distância. Enquanto alguns funcionam muito bem, outros não têm graça, abusando de situações forçadas.

Cartas já não adiantam mais / Quero ouvir a sua voz / Vou telefonar dizendo / Que eu estou quase morrendo / De saudades de você...

Apesar de Long não convencer como galã e Barrymore parecer um pouco velha demais para o papel, “Amor à distância” trata com respeito os personagens e sua situação. A dificuldade de um namoro intermunicipal/estadual/nacional, mesmo na era das mensagens de celular e skype, é mostrada com humor, e aí estão os melhores momentos dos protagonistas no filme.

Eu não sei / Por quanto tempo eu / Tenho ainda que esperar / Quantas vezes eu até chorei / Pois não pude suportar...

Mas o longa só é realmente engraçado quando surge Dan (Charlie Day), melhor amigo de Garret e ladrão de todas as cenas em que aparece. Que o mais marcante de uma comédia romântica seja o coadjuvante-melhor-amigo e as referências a “Friends”, “Top Gun” e “Dirty Dancing”, é sinal de que algo na trama principal não vai bem. Apesar da premissa interessante, o cotidiano de um relacionamento à distância não rende muito e as piadas acabam ficando repetitivas.

Mas o dia que eu / Puder lhe encontrar / Eu quero contar / O quanto sofri / Por todo este tempo / Que eu quis lhe falar...

Ao alongar a situação para que sintamos pena do casal, o filme acaba por esvaziar o romance e a dor da saudade, fazendo com que a torcida seja apenas para que aquilo se resolva logo, e não exatamente para que eles fiquem juntos no final. Faltou assumir mais o lado brega e dramático da situação, ao invés de tentar ser cool. Como o rei já provou, um pouco de romantismo não faz mal a ninguém...

Eu Te Amo! / Eu Te Amo! / Eu Te Amo!

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