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Amelie foi pra guerra

06.02.05

por Mariana Marques

Eterno Amor

(Un long dimanche de fiançailles, França, 2004)

Direção: Jean-Pierre Jeunet
Elenco: Audrey Tautou, Gaspard Ulliel, Dominique Pinon, Clovis Cornillac, Jérôme Kircher, Chantal Neuwirth, Albert Dupontel

Princípio Ativo:
Narrativa rápida e cores bonitas

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Um filme de Jean Pierre-Jeunet com Audrey Tautou no papel principal é um grande atrativo para quem, como eu, é fã de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”. Quando se vai ao cinema com grandes expectativas, no entanto, a chance de se decepcionar é grande. Infelizmente foi esse o caso ao assistir “Eterno Amor”.

A história gira em torno de Mathilda (Tatou), uma jovem esperançosa que deseja encontrar seu noivo Manech (Gaspard Ulliel), combatente de guerra desaparecido. A última notícia que recebe é a de que Manech e mais cinco homens foram condenados à morte porque se mutilaram, esperando que fossem dispensados. A moça tem esperanças de que ele ainda esteja vivo e começa a investigar o que aconteceu após a condenação.

Junto à busca de Mathilda, conhecemos a história dos outros homens condenados à morte, como viviam antes e quem os aguardava voltar para casa. Assim como em “Amelie”, Jean Pierre-Jeunet utiliza uma narração dinâmica para contar a história desses personagens. Mas enquanto em Amelie este recurso funciona muito bem, em “Eterno Amor” ele acaba se tornando confuso para o espectador. Isso porque em “Amelie” as personagens são bem mais caricatas.

Em “Eterno Amor”, os homens que usam o mesmo uniforme são apresentados rapidamente, assim como se conhece as pessoas envolvidas com cada um. É difícil ao longo do filme associar o quê aconteceu com quem e mesmo nos minutos finais, quando a história procura se amarrar, já não é tão simples lembrar dos nomes e das histórias de vida. A história que consegue prender mais atenção é a da personagem de Jodie Foster, talvez porque eles realmente deram mais destaque por se tratar de uma atriz famosa.

Os bons momentos de “Eterno Amor” são justamente quando Mathilda lembra Amelie Poulain. Quando a moça inventava coisas do tipo “se o cachorro entrar pela porta em menos de tantos minutos, Manech está vivo” me fazia lembrar como Jean-Pierre Jeunet tem talento para criar personagens com traços simples, com os quais o espectador se identifica facilmente (eu já fiz isso e aposto que você também).

Um dos momentos fortes do filme são as lembranças de Mathilda e Manech antes da guerra, como eles se conheceram e alguns momentos fofos que tinham vivido. É fácil perceber também porque o filme concorreu ao Oscar de Direção de Arte. O longa é visualmente muito bonito e as cores utilizadas conseguem refletir a solidão e a esperança da personagem e ainda dão ao filme aquele ar “de época”.

“Eterno Amor” poderia ser melhor se fosse 40 minutos mais curto e se as tantas histórias fossem contadas de maneira diferente. A decepção com o filme, porém, não me fez menos fã de Jean-Pierre e Audrey Tatou.

Mathilde (Tatou): em quem você acha que ela está pensando?

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