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Ron & eu

20.05.06

por Daniel Oliveira

O Código Da Vinci

(The Da Vinci Code, EUA, 2006)

Dir.: Ron Howard
Elenco: Tom Hanks, Audrey Tautou, Ian McKellen, Jean Reno, Alfred Molina, Paul Bettany

Princípio Ativo:
Dan Brown & seu best seller

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Quando li O Código da Vinci, pensei que, se não tivesse mais de 400 páginas, o livro já era praticamente um roteiro decupado. Já se tinha tudo de uma boa ficção ali – a montagem paralela, o ritmo frenético, a trama intrincada, as reviravoltas bem posicionadas.

Por isso, acredito que quase todos que o leram devem ter filmado seu próprio Código mentalmente. Inclusive eu.

Robert Langdon
Na minha leitura, o professor de Harvard, contatado pela polícia francesa para ajudar na solução do assassinato do diretor do Louvre, era George Clooney, com o “charme maduro” descrito por Dan Brown. Ron Howard & sua trupe escolheram Tom Hanks – “um ator que passa credibilidade pensando”, que é o que Langdon mais faz, além de correr. Ponto para eles, já que o ator convence – justamente nos silêncios em que desvenda os tais códigos.

Sophie Neveu
A neta do assassinado, que ajuda Langdon é impetuosa, cética e racional. Porém ela tem traumas escondidos, o que me fez imaginar Julie Delpy (Antes do pôr-do-sol). Já a escolhida, Audrey Tautou, parece deslocada em uma trama muito séria e sisuda.

Tautou parece mais talhada para o drama associado a outros gêneros – como a comédia ou o fantástico. Quando Sophie confronta o assassino do avô em um avião, a atriz parece se esforçar, mas você sabe que ela faz melhor que aquilo. Prova disso é sua última cena, a única com um certo humor e em que se pode reconhecer seu carisma. Um pouco culpa do diretor, que não é lá grandes coisas. Ponto para mim.

Leigh Teabing
Ian Holm (O senhor dos anéis) era o meu historiador, amigo de Langdon. Outro Ian, McKellen, faz uma leitura própria do personagem, escapa da direção fraca e dosa bem a afetação, o sarcasmo e a obstinação do personagem. Sua atuação é tal que o resto do elenco (inclusive Hanks e Tautou) melhora quando ele está em cena. Golaço de placa dele.

O conjunto
Howard & sua trupe entregam um trabalho sem nenhum traço de autoria, alicerçado em uma boa história – com fotografia burocrática e trilha boa, mas óbvia. Como o roteiro é bom no começo (quase reproduzindo as páginas de Brown), mas perde bastante ritmo na segunda hora, o filme é irregular.

Algumas referências e especulações de Brown ficaram de fora, o que faz as “revelações” da trama parecerem (ainda mais) “teoria da conspiração” para quem não leu o livro. Mas não é isso que leva ao clichê “o livro é bem melhor”, e sim o fato de Brown ser um contador de estórias bem melhor que Howard.

Se com isso, eu quero dizer que o cineasta é o problema e eu era o diretor do meu “filme imaginário”? Ron Howard tem os milhões de dólares necessários, eu não.

Hanks, Tautou e outro pop star muito interessado no assunto

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