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O nascimento de um filão

10.07.04

por Daniel Oliveira

Superman: O Filme

(Superman: The movie, Reino Unido, 1978)

Dir.: Richard Donner
Elenco: Christopher Reeve, Margot Kidder, Marlon Brando, Gene Hackman, Ned Beatty, Valerie Perrine

Princípio Ativo:
truth, justice and the american way

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No pop, nada se cria, tudo se copia. Ou, no picaretês hollywoodiano, tudo se “reinventa”. Então, uma boa forma de descobrir as gemas em meio à enxurrada da falta de criatividade é saber quem é copiado e quem copia. Nessa separação de trigo e joio, “Superman – o filme” fica no primeiro time.

Não é só pelo fato de que Marlon Brando está no elenco e Mario Puzo (O Poderoso chefão) no roteiro – motivo obrigatório para se ver um longa. É que o (na época) novato Christopher Reeve é tão bom quanto os veteranos, como a mais perfeita encarnação do Superman até hoje. Não é que a cena do vôo do herói com Lois Lane seja gritantemente camp e encantadora. É que Reeve e Margot Kidder apresentam um ritmo cômico invejável. Seus diálogos são, ao mesmo tempo, ingênuos e maliciosamente ambíguos.

Não é que a participação de Gene Hackman, como Lex Luthor, pareça reduzida e sua trama vilanesca só deslanche (bruscamente) no ato final. É que a edição - indicada ao Oscar - das cenas de ação é envolvente (ao invés da adrenalina barata vendida nos cinemas hoje). E os efeitos pré-digitais, apesar de claramente datados, ganharam um charme nostálgico com o tempo. Eles constroem o universo do filme, ao lado do antológico desenho de produção e da fotografia de Geoffrey Unsworth (a quem o filme é dedicado) – com o branco de Krypton, no início, o dourado de Smallville e a nova-iorquina e quadrinesca Metropolis. Tudo isso, é claro, orquestrado pela trilha antológica de John Williams (ET, Star Wars).

E mesmo que Superman leia mentes (?), que a roupa de Clark Kent desapareça magicamente por cima do uniforme (??) e que ele faça o mundo girar ao contrário (???), o filme, simplesmente, funciona. E levantou esse tipo de adaptação a um patamar que é referência até hoje. A ousadia de gastar uma hora desenvolvendo os personagens e criando um alicerce para a trama – o herói só aparece com mais de 30 minutos e só entra em ação lá pela 1 hora – é a mesma do primeiro “Homem Aranha”. Assim como a interpretação nerd-atrapalhada de Tobey Maguire ressoa Christopher Reeve, o vôo romântico de “Aladdin” (e Jasmine, lembra?) tem a mesma pieguice da cena citada no segundo parágrafo, até na trilha sonora. E mesmo o QG do Pingüim, no “Batman – O retorno” do autoral Tim Burton, parece muito com o de Lex Luthor em “Superman”.

Nada se cria, tudo se copia. Mas se copia de algum lugar. É nesse lugar que “Superman – o filme” descansa, com os originais de “Tubarão” de um lado e “Alien” do outro.

"Like Peter Pan, or Superman, you wil come..."

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