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Wilbur, o porquinho bem educado

05.01.07

por Mariana Souto

A menina e o porquinho

(Charlotte’s web, EUA, 2005)

Dir.: Gary Winick
Elenco: Dakota Fanning e vozes de Julia Roberts, Oprah Winfrey, Robert Redford, Thomas Haden Church

Princípio Ativo:
Valores, provas de amizade e carinho

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A sessão começou e eu, que não conhecia o livro e nem a versão de desenho animado de A Menina e o Porquinho, estava descrente. Achei a dublagem baranga, alguns diálogos piegas e pensei que estavam supervalorizando Wilbur que, afinal, era apenas um porco. Tenho certa preguiça do exagero na humanização de animais e ver a garotinha Fern (Dakota Fanning, para variar) tratando o bicho como se fosse um bebê me dava um pouco de agonia.

Em pouco tempo eu estava chorando. Como se o mundo fosse acabar. Meu Deus, o que fizeram comigo? O diretor Gary Winick conduz a trama de modo simpático, bonito, mas sem cair demais no sentimentalismo. Bom, talvez caia só um pouquinho, numa medida perdoável.

Wilbur é um porquinho que, por ter nascido muito pequeno, seria sacrificado, não fosse pela intervenção de Fern. A menina determinada o adotou e cuidou dele, visitando-o no celeiro diariamente. Junto com o porco, viviam outros animais – vacas, gansos, carneiros e a aranha Charlotte, desprezada pelos demais por sua aparência e hábitos diferentes. Wilbur vive querendo fazer amigos e solta expressões mimosas como “puxa, que nome lindo!”. É tão carente e otimista que parece o primo suíno da Pollyana. Apesar de ser aconselhado do contrário, faz amizade com Charlotte e, a partir disso, todos passam a aceitá-la e ver suas qualidades.

A fábula está repleta de lições de vida, valores, provas de amizade e carinho, a ponto de emocionar o público. Chorar por beleza, e não por drama, é algo que deveria acontecer mais com as pessoas. Dificilmente vemos filmes infantis com o intuito de educar e transmitir belos ensinamentos. Isso pode até acontecer, mas hoje o foco principal costuma ser mesmo a diversão. “A Menina e o Porquinho” tem outro objetivo, mas também conta com momentos engraçados, a maioria protagonizada pelo politicamente incorreto ganso Golly e suas gafes (“é tão feia que só podia ser inteligente”).

Com uma trama tão envolvente, o espectador até se esquece da quantidade de efeitos especiais contidos no filme e da enorme trabalheira que deve ter sido realizá-lo. Os animais, de carne e osso, falam e se movimentam com tanta fluência e naturalidade que você se pergunta o que há de errado com seu cachorro que não fala.

Talvez mesmo só recorrendo a livros que te fazem espirrar para retomar a forte presença de valores no entretenimento de crianças. A obra literária é de 1952, o desenho de 1973, mas as lições são sempre atuais: o valor da promessa, o poder da amizade, união, aceitação da diferença e humildade.

Dakota estuda bastante para conseguir seu primeiro Oscar antes de terminar o colegial.

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