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Coisas Invisíveis

02.05.07

por Igor Costoli

Homem-Aranha

(Spiderman, EUA, 2002)

Dir.: Sam Raimi
Elenco: Tobey Maguire, Willem Dafoe, Kirsten Dunst, James Franco, J.K. Simmons

Princípio Ativo:
Amor e outros sentimentos

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Diz a publicidade que a melhor comida é aquela temperada com amor. No cinema, é visível que filmes feitos com carinho já largam na frente para conquistar o espectador. Deste sentimento de entrega, nasceu uma das melhores adaptações (desde que não se debata o que é adaptação e o que é transposição) dos quadrinhos para a tela grande.

Eu poderia até repetir a piada, e fazer uma resenha sem contar a história do filme, mas hoje não. Tão difícil quanto encontrar alguém que não conheça a história de Peter Parker, é encontrar alguém que não se identifique com o Parker de Tobey Maguire. Nem todas as pessoas nascem nerds, desastradas e solitárias. Mas todos somos humanos, e é isso que faz do Homem-Aranha o mais popular herói da Marvel.

Sam Raimi acerta a mão na hora de fazer o foco: a descoberta dos poderes. O clímax está lá no final, há uma aventura e um vilão pela frente, mas eis o centro da narrativa, a parte que faz até o fã mais receoso com a adaptação querer gritar pulando por entre prédios. Em 128 minutos, Raimi (produtor de Xeena, Princesa Guerreira) dá uma aula de caracterização de personagens enquanto conta uma enorme quantidade de história em pouco tempo. De modo que em 54 minutos, o Aranha salta pelas paredes de Nova York, e nada está faltando, tudo foi dito e mostrado.

Maguire é quem dá o ritmo e faz escola: tia May e tio Ben Parker são fofos como deveriam ser. A Mary Jane de Kirsten Dunst é a mocinha linda por quem suspirar, Dafoe se desdobra na insanidade de seu Duende Verde, e é difícil ver J. K. Simmons em cena: o espantoso J.J. Jameson, editor do Clarim, parece ter saído diretamente dos quadrinhos.

Se o pessoal das humanas brilhou, o pessoal das exatas também fez a sua parte. Os efeitos especiais, indicados ao Oscar, enchem os olhos com o espetáculo e a fantasia, e o espectador é convidado a passear com o Aranha pelos arranha-céus. Tecnicamente é um filme bom, e depois de tudo, você até releva a centena de erros de continuidade nos vários trechos da trama.

Em 2000, Bryan Singer abriu uma porta. Seu “X-Men – O Filme”, apesar dos defeitos, era um promissor anúncio de que os efeitos especiais estavam quase no ponto para novos e ousados vôos. E no dia 31 de maio de 2002, vi essa porta aberta ser escancarada, derrubada no chute. O Homem-Aranha de Raimi mostrava que com carinho na produção (justiça seja feita, Singer também sabe demonstrar afeto), a adaptação dos heróis dos quadrinhos seria um dos grandes negócios da década.

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