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Super herói ou nerd? As duas coisas.*

02.05.07

por Daniel Oliveira

Homem-aranha 2

(Spider Man 2, EUA, 2004)

Dir.: Sam Raimi
Elenco: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, Alfred Molina, James Franco, Rosemary Harris, J.K. Simmons

Princípio Ativo:
dupla personalidade

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O maior conflito de um herói não é com seu antagonista, mas consigo mesmo. É a grande sacada de Sam Raimi, que fez uma adaptação quase 100% fiel e comercialmente acachapante no seu “Homem Aranha 2”. Nerd confesso, fã de HQ e seguro no comando de seu barco, Raimi ainda é um diretor de personalidade e com grande habilidade técnica. Quem viu “Evil Dead” sabe de onde veio o terror B da cena em que alguns médicos são exterminados pelos tentáculos de Doc Ock.

Chegar pontualmente nas aulas, fazer os trabalhos em dia, descolar uma grana, conquistar sua garota, ajudar os pais, salvar o mundo: essas são as tarefas de qualquer estudante comum. A última, provavelmente, é peculiar a Peter Parker (Tobey Maguire, um insuspeito talento cômico) que, na tentativa de equilibrar alter ego e vida particular, mostra-se um grande loser e um nerd perfeito. Por um instante, nada na sua vida parece poder ficar pior. Mas Raimi sabe que pode.

Diretor e roteiro entendem a individualidade do Aranha em relação a seus colegas uniformizados. Ele é um cara normal, obrigado a sacrificar grande parte de sua vida em nome de um poder que a muitos parece uma maldição. Parker, porém, é a verdadeira alma do Homem Aranha e no momento em que o personagem não consegue equilibrar esse conflito interno, os dois sofrem – as costas de Maguire que o digam. “Não há nada pior que perdermos a nós mesmos”, diz o médico de Parker. Ele é capaz de salvar o mundo, mas não de resolver sua própria vida.

Alternando comédia e alguns diálogos sofríveis, HA2 é um presente aos fãs do cabeça de teia e um produto perfeito do verão norte-americano. Tirando alguns momentos Bon Jovi e um vilão (Doc Ock, vivido por Alfred Molina) que novamente é uma desculpa para Raimi gastar efeitos desnecessários, o filme é entretenimento de primeira. A trama e construção dos personagens é o que capta a atenção do público, auxiliados por um elenco muito bem escolhido – Kirsten Dunst encanta com a voz sexy de sua Mary Jane.

Ainda sobra tempo para a ponta de possíveis vilões, como o Dr. Lagarto, o Duende Macabro e o Homem-Lobo; uma cena final homenageando o primeiro Superman; e um momento “Gollum” para o vilão de Molina. O filme termina deixando um desafio para os roteiristas no terceiro episódio e um grande sorriso no público ao sair do cinema. Bons tempos esses em que os heróis que invadem nossas telas nas férias sofrem de stress e dor nas costas. Ou alguém aí deseja Stallone e Schwarzenegger de volta aos cartazes dos grandes filmes de ação?

*Texto-piloto para o Pílula Pop, escrito em agosto de 2004.

Oh, você...por aqui...de novo...

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